INSCRIÇÃO: 00200
 
CATEGORIA: JO
 
MODALIDADE: JO15
 
TÍTULO: Radiodocumentário “Cametá: a beira do imaginário popular"
 
AUTORES: Leonardo Santana dos Santos Rodrigues (Universidade Federal do Pará); Erlane Pereira dos Santos (Universidade Federal do Pará); Thaís de Souza Amorim (Universidade Federal do Pará); Johnny Lucas do Prado Machado (Universidade Federal do Pará); Otacílio Amaral Filho (Universidade Federal do Pará); Wellington Rafael Rocha (Universidade Federal do Pará); Monica Melo Salgado (Universidade Federal do Pará)
 
PALAVRAS-CHAVE: Cametá, imaginário , mitos, rádiodocumentário,
 
RESUMO
Este trabalho mostra a riqueza cultural do imaginário cametaense relacionado aos mitos sobre a queda da orla no município. O radiodocumentário “Cametá: a beira do imaginário popular” foi desenvolvido a partir de entrevistas realizadas com moradores na cidade e pesquisadores a respeito do imaginário cametaense e amazônico. Com duração de 17 minutos, e marcado por uma trilha sonora regional, o produto se apresenta como uma importante ferramenta para registrar e preservar esse bem cultural da região.
 
INTRODUÇÃO
O radiodocumentário “Cametá: a beira do imaginário popular” mostra a relação dos moradores do município de Cametá com a erosão da orla da cidade. O município está localizado no nordeste paraense, às margens do Rio Tocantins, a cerca de 200 quilômetros de distância de Belém (PA). A cidade é acometida com o fenômeno erosivo e alguns mitos tentam explicar as causas da queda a partir de um imaginário tipicamente amazônico, no qual a natureza, principalmente o rio Tocantins, desempenha um papel importante, assim como a religião. Um das narrativas, por exemplo, refere-se a um padre que, após ser expulso da cidade, amaldiçoa-a. Noutro, as igrejas aparecem como morada de animais gigantes, como a cobra ou a tartaruga, cuja movimentação explicaria a queda da orla. Tudo isto constitui uma cultura em que o imaginário transita entre o real e o irreal, como uma espécie de sfumato, como aponta Loureiro (2001) "É possível identificar-se na cultura amazônica um imaginário poetizante estetizador governando o sistema de funções culturais, tendo como suporte material a natureza e desenvolvendo-se por meio de vaga atitude contemplativa própria do homem da região em sua imersão no devaneio. Um devaneio que atua como ligação entre o real e o irreal". (LOUREIRO, 2001, p.84). Diante da força do Rio Tocantins, o homem se viu diversas vezes impotente, confuso, maravilhado. E é de sentimentos como esse que brotam os mitos e as histórias "Percebe-se nas relações estetizantes com o real da Amazônia que há um maravilhamento do homem, o que é próprio de quem está diante de algo que é imenso e diante do qual a pequenez do homem se evidencia. Pequenez que é superada pelo homem natural por intermédio de um imaginário que a transforma e permite uma articulação com as categorias perto-longe, convivência-estranhamento". (LOUREIRO, 2001, p. 71)
 
OBJETIVO
O objetivo do documentário é despertar a atenção para a riqueza cultural de Cametá, representada pelo imaginário sobre a erosão da orla, apresentando os mitos e o modo como se constroem. Destaca-se que este imaginário reflete modos singulares do povo amazônico, sobre o qual Simões (2007) afirma que “Há dois espaços culturais nitidamente reconhecíveis na Amazônia, não apenas na paraense, senão na Amazônia de modo geral: aquele mesclado pelos avanços da modernidade (guardando-se, naturalmente, as devidas proporções, em se tratando de Região Norte), o espaço urbano, que lenta ou mais apressadamente vai se ajustando ao nível de vida das grandes metrópoles, e o espaço mais genuinamente amazônico – o interiorano. Aqui, a cultura se mantém mais próxima das suas raízes e, por conseguinte, mais ligada à preservação dos valores da sua tradição histórica. Nesse contexto, observa-se o predomínio da transmissão oral, assim como uma relação muito mais íntima do homem com a natureza e de todas as implicações dessa convivência”. (SIMÕES, 2007, p. 2) Outro objetivo é produzir um material que ajude a divulgar e preservar este elemento cultural de Cametá, que são os mitos.
 
JUSTIFICATIVA
Há poucas informações sobre os mitos de Cametá. A situação é preocupante para os mais apaixonados pela cultura local, que se esforçam através de trabalhos educativos e publicação de pequenos livros relacionados ao tema, para que este elemento cultural não se perca com o tempo. No entanto, o alcance dessas ações muitas vezes limita-se ao município. Desta forma, o radiodocumentário apresenta-se como um recurso importante para registrar, divulgar e preservar parte do imaginário cametaense, como já explicado anteriormente. A opção pelo radiodocumentário está relacionada a dois fatores. O primeiro é a forma como os mitos foram preservados e passados de geração em geração na cidade e de forma geral na Amazônia, isto é, através das narrativas orais. As narrativas orais são formas envolventes de explicar o mundo e guardam parte de nossa identidade. Existem diversas formas de se preservar a identidade e a memória de uma cultura, como documentos, cartas, fotografias, pinturas, etc. Mas nem todos têm acesso aos mesmos meios. Para algumas pessoas, a oralidade é a única forma de resguardar suas memórias. As narrativas orais permitem que as experiências individuais sejam socializadas, e, dessa forma, podem ser consideradas uma das formas de materialização do imaginário, algo que o filósofo Maffesoli (2001) define como essencialmente coletivo “O imaginário é o estado de espírito de um grupo, de um país, de um Estado-nação, de uma comunidade etc. O imaginário estabelece vínculo. É cimento social. Logo, se o imaginário liga, une numa mesma atmosfera, não pode ser individual” (MAFFESOLI, 2001, p. 76). Assim, as narrativas orais contribuem para que o imaginário se construa e seja preservado a partir da coletividade. Burkert (2001) segue esta linha de raciocínio e afirma que o mito também não é um texto fixo porque ele existe coletivamente e pode ser apreendido de várias maneiras. Pode ser transformado em um poema épico, como no caso das obras de Homero, ou pode ser repassado oralmente, como em Cametá, onde o mito sobre a erosão da orla tem várias versões. “Narrativa e experiência estão claramente dependentes uma da outra de maneira especial. Isto significa que também um mito, pelo fato de ser narração, não nos é como texto fixo nem está ligado a formas literárias determinadas.” (BURKERT, 2001, p.22). É natural, portanto, que as histórias em Cametá tenham diferentes versões, envolvendo, em certos casos, o ponto de vista do contador, como fica evidente no produto realizado. O radiodocumentário foi uma maneira de relacionar o produto ao seu objeto, ou seja, o imaginário cametaense relaciona-se com o documentário de forma análoga às narrativas orais. O segundo aspecto diz respeito ao fato do rádio ainda ser um meio de comunicação de forte influência no Brasil, especialmente na região norte. De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, o rádio ainda é o segundo meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros. A pesquisa ainda revelou os principais motivos pelos quais as pessoas ouvem rádio: a busca por informação (63%), diversão e entretenimento (62%) e como uma forma de passar ou aproveitar o tempo livre (30%). Nesse sentido, segundo a pesquisa, o rádio pode ser classificado – ao lado da televisão e da internet – como um meio de comunicação de utilidade híbrida, voltado tanto para o lazer quanto para o conhecimento sobre assuntos importantes do dia a dia das pessoas. Logo, ele constitui-se como uma boa ferramenta para o objetivo deste trabalho, uma vez que o tema tem uma grande importância cultural e pode ser fonte de informações sobre Cametá.
 
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
A disciplina de Estudos de Temas Amazônicos II, para a qual o documentário radiofônico foi produzido, mostra-se um importante momento para refletir sobre as questões locais e entrarmos em contato com a produção científica sobre a região, sendo de grande contribuição para nossa formação jornalística e acadêmica. Uma das avaliações consistia na criação de um produto midiático. A mídia que escolhemos foi o rádio por ser um meio que se constitui pela oralidade, indo ao encontro do que nos propomos a abordar, os mitos e narrativas orais de Cametá, e optamos pelo formato de documentário radiofônico por nos permitir abordar o tema com mais profundidade. Conforme apontam José e Sergl (2015) “o documentário, como gênero que complexificou a reportagem, transforma o tema ou o assunto numa questão, isto é, problematiza as afirmações ou as negações que já aparecem como generalidades fechadas; cada aspecto do tema pode ser tratado como hipótese, como possibilidade que questiona algum argumento, ou parte dele, que se apresenta fragilizado como constituinte da generalidade em virtude de mudanças no próprio fenômeno do qual o fato, e mesmo a generalidade, são apenas parte dele” (JOSE E SERGL, 2015, p. 73). Inicialmente, nossa principal dificuldade foi fazer um levantamento prévio sobre os mitos de Cametá em Belém, já que havia poucas informações disponíveis na internet e tivemos dificuldades para localizar livros que abordassem esta temática. Nesta etapa, nossa maior fonte de informação foi o historiador cametaense Haroldo Barros, com quem entramos em contato por telefone para marcar entrevista in loco. No período de 17 a 18 de setembro, viajamos para Cametá, com recursos próprios, com o objetivo de entrevistar os moradores, entrar em contato direto com a cultura local e buscar mais informações, uma vez que as pesquisas iniciais não revelaram muitos detalhes. Também nos foi possível avaliar o estado da orla da cidade, dando uma visão mais testemunhal, uma vez que dias antes da viagem a orla sofreu com a erosão, comprometendo residências na região. Na ocasião, entrevistamos cinco pessoas, incluindo o historiador Haroldo Barros. As demais entrevistas conseguimos durante a viagem, contando com uma participação solícita dos moradores, que, mesmo quando optavam por não ser entrevistados, indicavam outras pessoas que poderiam falar conosco. Buscamos mostrar o contraste entre a visão de um morador mais novo, como foi o caso do estudante Fernando Muniz, de 17 anos, e um morador mais velho, caso de Iolanda Braga, de 95 anos, que nos forneceu detalhes sobre a erosão em Cametá. Este trabalho de campo foi de fundamental importância para o projeto porque permitiu a experiência de viver intensamente o desafio de cada etapa da produção jornalística: a busca por entrevistados em um lugar totalmente desconhecido, já que apenas uma integrante do grupo havia estado lá, e mesmo esta não pôde viajar com a equipe; os cuidados durante as gravações; a otimização do pouco tempo que tínhamos na cidade e a coleta de fontes documentais, como livros e fotos, doados pelos próprios moradores. Ressaltamos também que os dias escolhidos (sábado e domingo) dificultaram o trabalho, uma vez que Museu do Município, escolas, bibliotecas e órgãos públicos estavam fechados. Este detalhe serviu de grande aprendizado para trabalhos futuros que impliquem deslocamentos para outras cidades. Após o retorno da viagem, marcamos as entrevistas com dois pesquisadores, um para falar sobre mitos e outro para explicar o fenômeno da erosão. Para a realização da maioria das entrevistas, nós utilizamos um gravador digital. Exceto para duas, a do estudante Fernando Muniz, que precisou ser enviada via áudio pelo Whatsapp, pois quando gravamos em Cametá o vento prejudicou a qualidade do áudio. E a do oceanógrafo Caio Reis, que devido a incompatibilidade de agenda também foi enviada pelo mesmo aplicativo. A escolha pelo nome não foi um processo fácil porque queríamos destacar a cidade, e ao mesmo tempo relacioná-la ao imaginário sobre a queda da margem. Logo, após muitas discussões, optou-se finalmente por Cametá: a beira do imaginário popular. A rima, embora não recomendada no rádio, deu ao nome um toque poético. Como estamos falando de um tema cultural, acreditamos que tal escolha não compromete a compreensão e traz um toque de leveza ao produto. Ao escutar o nome, permite-se pelo menos duas interpretações. A primeira pode entender “a beira” literalmente como a beira da cidade e ao imaginário que a envolve devido às suas quedas, ou seja, como um substantivo. E a segunda é ver Cametá à margem do imaginário popular, isto é, ao lado, próximo. A escrita do nome, no entanto, não deixa dúvidas de nossa intenção. A próxima etapa foi a produção do roteiro. Decupamos todas as entrevistas e selecionamos os trechos que entrariam no roteiro do radiodocumentário, bem como fizemos os recortes para a edição, utilizando o programa Sony Sound Forge. Esta etapa durou aproximadamente três semanas. Após finalizarmos o roteiro gravamos a locução ou off. O off foi gravado no estúdio da Faculdade de Comunicação da UFPA (FACOM). Em seguida escolhemos as trilhas que compuseram o documentário. A escolha das trilhas e dos efeitos sonoros é fundamental no rádio para envolver o ouvinte. Sobre o uso desses recursos, Dorne et al (2015) afirmam “Cada trilha deve ser escolhida de acordo com a estética que apresenta e a finalidade do formato no qual será inserida. Já os efeitos sonoros têm como uma das funções criar ambiência e delimitar os diálogos entre os locutores. Em outros casos, são utilizados para complementar e criar cenas na mente do ouvinte, já que o rádio não tem o auxílio da imagem. Sendo assim, a utilização de músicas e efeitos sonoros, bem como a narração do locutor, são essenciais para a construção deste cenário mental”. (DORNE et al, 2015, p.239) Por isso, optamos por uma trilha sonora regional, como as guitarradas e o trabalho do violonista Sebastião Tapajós, pondo em destaque o aspecto cultural do produto. Foram usados efeitos sonoros para marcar o início e fim do programa. Escolhida as trilhas, o radiodocumentário foi editado no programa Sony Vegas Pro 13. Para esta etapa, contamos com a ajuda do técnico João Nilo Ferreira. Foram cinco dias de gravação e edição.
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO
No total, o documentário radiofônico “Cametá: a beira do imaginário popular”, disponível no seguinte endereço: https://soundcloud.com/thais-de-souza-619915535/radio-documentario-cameta, teve três meses de produção, de agosto a outubro de 2016. Durante 17 minutos e 10 segundos, cametaenses e pesquisadores narram suas perspectivas relacionadas ao imaginário da cidade, mediados pela locutora, uma integrante da equipe. Destacamos ainda que pedimos autorização do uso de voz para todos os entrevistados. Optamos pelo documentário radiofônico padrão, que, segundo José e Sergl (2015, p.74), “é sustentado por dois narradores: a narração do locutor, que aparece como voz off e a narração dos envolvidos, que aparece como sonoras”. Para Luiz Arthur Ferraretto, o documentário de rádio se caracteriza também por abordar um “um determinado tema em profundidade. Baseia-se em uma pesquisa de dados e de arquivos sonoros, reconstituindo ou analisando um fato importante” (FERRARETTO, 2007, p.57). Decidimos usar trilha sonora apenas nas locuções para poder destacar melhor o relato dos entrevistados e não atribuir sentidos ou emoções indevidos. O documentário começa com uma vinheta gravada por um colega de curso. Após a vinheta, seguem-se três curtos relatos dos moradores de Cametá que serão apresentados ao longo do documentário como forma de quebrar a linearidade da narrativa e dar uma prévia do assunto a partir dos próprios entrevistados, com o intuito também de despertar a curiosidade do público. Em seguida, tem início o off com a apresentação da cidade e um convite aos ouvintes para percorrer o imaginário cametaense sobre a queda da orla. Na sequência, a locutora explica resumidamente a história da orla, a data aproximada de fundação e as expectativas para a construção na época em que foi criada. A partir daí, começam as sonoras dos entrevistados. Todos os participantes são apresentados pela locutora sempre que suas sonoras surgem no documentário, já que a maioria dos entrevistados aparecem no produto mais de uma vez. Além de apresentar os entrevistados, a locução tem a função de intermediar o os relatos para que as sonoras tenham uma sequência lógica. As primeiras sonoras são de duas moradoras, Iolanda Braga e Maria Benedita Braga, mãe e filha respectivamente, que relatam o dia em que tiveram a casa da família comprometida por causa da erosão. Esses relatos ajudam a compreender o impacto da erosão no cotidiano das pessoas, principalmente daquelas que vivem a experiência desde a infância. A terceira sonora é da pesquisadora da Universidade Federal do Pará, professora Socorro Simões, que, atualmente, coordena o projeto Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia (IFNOPAP). Nesta primeira participação no documentário, a pesquisadora explica o que é uma narrativa e destaca que as narrativas são experiências de vida, especialmente da vida do homem amazônico. Iniciam-se os relatos sobre os mitos de Cametá. O estudante Fernando Muniz apresenta o mito da cobra grande. De acordo com o mito, há uma cobra grande vivendo embaixo da igreja da cidade. A cabeça do animal teria a função de sustentar a igreja e o município. Ainda segundo o estudante, a cobra se mexeria toda a vez que Cametá sofresse com algum problema ambiental, e devido o movimento ocorreria a erosão. O guarda de Nossa Senhora de Nazaré, João Maria Monteiro, 78 anos, narra o mito relacionado à expulsão do padre. De acordo com esta narrativa, ao deixar a cidade, um teria dito que da mesma forma como o pó de sua sandália caía, Cametá também teria o mesmo fim. O historiador Haroldo Barros acrescenta detalhes a esta narrativa e conta uma versão um pouco diferente, na qual o padre teria amaldiçoada a cidade afirmando que, assim como sua sandália caía no rio e seria tragada por ela, a cidade teria destino semelhante. Este mito especificamente evidencia a forte presença da religião no imaginário local. Outras narrativas mitológicas, agora envolvendo uma tartaruga e o tatu, são contadas pela pedagoga Maria Benedita. Ela observa ainda que as lendas de Cametá são herança dos povos indígenas que habitavam a região. O oceanógrafo Caio Reis explica o fenômeno da erosão e o que deve ser feito para evitar os desmoronamentos das margens do município. Ele ressalta que para a construção de empreendimentos como uma orla devem ser feitos estudos prévios para conhecer qual seria a melhor forma de conter a erosão. O documentário aborda as medidas já adotadas na cidade para conter o fenômeno erosivo e a forma como ele ocorre. O estudante Fernando Muniz e a pedagoga Maria Benedita falam sobre o afundamento de navios em frente da cidade. Entre eles, está o navio Perseverança. No entanto, os resultados ainda não satisfizeram as necessidades da população. A partir deste ponto, o radiodocumentário busca analisar como se forma e se preserva o imaginário cametaense. São ouvidos os mesmos entrevistados, alguns dos quais chegam apresentar opiniões divergentes entre si, especialmente no que diz respeito ao futuro dos mitos e lendas. Destaca-se que é grande a preocupação com este futuro mesmo entre os mais jovens, como fica evidente na entrevista de Fernando. Sobre os esforços de preservação, no radiodocumentário apresentam-se dois exemplos. O primeiro é do cametaense e historiador Haroldo Barros. Ele coletou com ajuda dos alunos do ensino médio diversas narrativas ao longo da região do Baixo Tocantins. O historiador destaca a responsabilidade de guardar a memória de Cametá. O segundo exemplo é da pesquisadora Socorro Simões, integrante de um projeto de pesquisa que estuda narrativas orais que envolvem o imaginário amazônico em mais de cem municípios do Estado do Pará. O projeto existe desde a década de 90. Nesta sonora a professora também ressalta a função do imaginário e as particularidades da Amazônia, destacando a riqueza do imaginário local. A locução encerra resumindo os elementos que constituem o imaginário cametaense e o encantamento que provoca. Destacou-se também como o imaginário de Cametá reflete o imaginário da Amazônia.
 
CONSIDERAÇÕES
Cametá: a beira do imaginário popular possibilitou um grande aprendizado sobre o processo de produção de uma documentário radiofônico, articulando as teorias que aprendemos na disciplina de Estudos de Temas Amazônicos II com a prática jornalística. Também nos permitiu realizar uma “imersão” no imaginário da região amazônica, bem representada pela cidade de Cametá. O contato com pessoas que vivem esse imaginário e têm consciência de sua importância para a cultura nos provocou uma inquietação: “Por que ainda há poucos produtos que divulgam a riqueza cultural de alguns interiores do Pará e da Amazônia?”. O radiodocumentário ajudar a preencher essa lacuna e a valorizar a produção local. A experiência de viajar e viver a rotina jornalística distante da universidade e do auxílio de técnicos, como geralmente ocorre nas atividades laboratoriais, nos permitiu um crescimento profissional, pois exigiu mais rigor e cuidado a cada decisão tomada, para que o produto final não fosse comprometido. Dessa forma, consideramos que atividades como estas devem ser mais estimuladas, possibilitando um aprendizado permanente.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁICAS
Brasil. Presidência da República. Secretaria de Comunicação Social. Pesquisa brasileira de mídia 2015: hábitos de consumo de mídia pela população brasileira. – Brasília: Secom, 2014. 153 p. : il. Disponível em: http://www.cultura.gov.br/documents/10883/1360136/Anexo+Adicional+IV+-+Pesquisa+SECOM+m%C3%ADdia.pdf/42cb6d27-b497-4742-882f-2379e444de56 . Acesso em 16 de Março de 2017.

BURKERT, Walter. Essência e função. In:______. Mito e mitologia. Lisboa: Edições 70, 2001, p. 15-29.

DORNE, Vinícius Durval; SANTOS, Eloíse Fernandes de Sousa; GONÇALVES, Aline Boone. Reflexões sobre o radiodocumentário “visão de liberdade: os olhos de quem não pode ver”: da proposta ao “fazer. Iniciação Científica CESUMAR Jul./dez. 2015, v. 17, n. 2, p. 237-249.

FERRARETTO, Luiz Arthur. O rádio. In:______. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Editora Dora Luzzatto, 2007, p. 21-40.

JOSÉ, Carmen Lucia; SERGL, Marcos Júlio. Documentário radiofônico: estruturas padrão e desviante. In: _______. Voz e roteiros radiofônicos. São Paulo: Paulus, 2015, p. 72 – 77.

LOUREIRO, João de Jesus Paes. A poética do imaginário. In:. Cultura amazônica: uma poética do imaginário. São Paulo: Escrituras, 2001, p. 59-120.

SIMÕES, Maria do Socorro. Metamorfose: a relevância do tema em narrativas orais da amazônia paraense . Organon, Revista do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nº42, Vol. 21; Jan – Jun 2007.

SIMÕES, Maria do Socorro. Metamorfose: a relevância do tema em narrativas orais da amazônia paraense . Organon, Revista do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nº42, Vol. 21; Jan – Jun 2007.