INSCRIÇÃO: 00583
 
CATEGORIA: JO
 
MODALIDADE: JO01
 
TÍTULO: Agência Comunicação Ocupada
 
AUTORES: Raisa Cristine Rodrigues de Araújo (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ); Graziela dos Santos Ferreira (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ); Everton Pereira dos Santos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ); Wallace Monteiro Sousa (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ); Lorena Cruz Esteves (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ)
 
PALAVRAS-CHAVE: Agência, Ocupação, Produção Jornalística, Jornalismo Colaborativo, Comunicação Integrada
 
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo apresentar a Agência Comunicação Ocupada. O projeto experimental desenvolvido por alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará, em parceria com professores e técnicos-administrativos, abordou os processos de produção jornalística durante o movimento de Ocupação da UFPA, em novembro de 2016. A Agência tinha como objetivo apresentar um novo olhar acerca da Ocupação, desconstruindo os estigmas que a grande mídia propagava nos seus veículos de informação. Apresentamos métodos e técnicas utilizados, além de resultados alcançados na apuração, coleta e distribuição de conteúdos, por meio do Jornal impresso (Jornal Laboratório Primeiras Linhas), Radiojornal (Rádio Web), Audiovisual (Academia Amazônia), Oficina de Criação e ainda um Observatório de Mídia.
 
INTRODUÇÃO
A "Primavera Brasileira", período de manifestações populares ocorridas no Brasil, em 2013, foi um importante catalisador das manifestações políticas posteriores a ela. No ano de 2015, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, propôs o fechamento de 93 escolas estaduais, o que gerou um movimento conhecido como Ocupação Escolar, que consistia na apropriação do espaço público de ensino pelos alunos. Este movimento acendeu uma faísca de revolução, a qual gerou uma onda de protestos pelo Brasil e que aumentaram após a Proposta de Emenda Constitucional 55 (PEC 55) ser pautada em votação pelo Congresso Nacional. Assim, nasceu o movimento de Ocupação, que se estendeu aos universitários de instituições de ensino de todo o país que não concordavam com as políticas do Governo Federal. A mídia hegemônica tratou o movimento sobretudo no sentido de criminalização, o que alavancou o crescimento da mídia alternativa como meio de informação sobre os fatos. Eugênio Bucci elucida que um dos mais efetivos veículos alternativos como a página "Mídia Ninja", teve (e tem) um importante papel na difusão de notícias. "O recado que os ninjas deram para a imprensa foi bem claro: as motivações de cada órgão de imprensa devem ser total e radicalmente transparentes, para o bem da credibilidade de cada veículo" (BUCCI, 2016, p. 97). No estado do Pará, em 24 de outubro de 2016, dois campi da UFPA, localizados nas cidades de Abaetetuba e Cametá, decidiram aderir ao movimento de Ocupação, que posteriormente foi adotado pelo campus Belém, após uma votação com parte dos corpos discente, técnico e docente. A Ocupação, no entanto, não foi um movimento unânime em toda a UFPA, havia diversos grupos com posicionamentos diferentes, entre eles, os que não apoiavam e lutavam para desarticular o movimento. Em função deste último grupo, havia muita informação desencontrada que "saía de dentro" da universidade e reverberava para fora, para a grande mídia e, consequentemente, para a sociedade.
 
OBJETIVO
Observando a pouca produção de conteúdo informativo sobre a Ocupação, que pudesse servir de referência tanto para os integrantes do movimento, quanto para a imprensa e sociedade, alunos, professores e técnicos da Faculdade de Comunicação da UFPA, juntamente com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia, em uma decisão inédita, decidiram aderir ao movimento e fazer a cobertura jornalística dos fatos relacionados ao processo de Ocupação, por meio da criação de uma Agência. A Agência Comunicação Ocupada tinha como objetivo apresentar um novo olhar acerca das ocupações nas escolas e universidades do estado do Pará, desconstruindo os estigmas que a grande mídia propagava nos seus veículos de informação. Por isso, é importante ressaltar que a Agência tinha um compromisso de apresentar os fatos na ótica da Ocupação. Além disso, a Agência tinha como objetivo, também, servir de referência para as informações, internas e externas, ligadas ao movimento e atender a imprensa quando houvesse necessidade.
 
JUSTIFICATIVA
A Agência Comunicação Ocupada surgiu com o intuito de abordar o que não foi pautado pela mídia tradicional, durante o movimento, como a violência totalmente repressiva das forças armadas nas manifestações em Brasília (DF), por exemplo. A Agência tornou-se o espaço no qual foi possível abordar temas considerados transversais, interligados ao movimento de Ocupação da Universidade, com conteúdos produzidos em um processo de convergência midiática (JENKINS, 2015) e com base em rotinas de produção integrada, colaborativa e compartilhada. Esse período foi marcado principalmente pelo protagonismo dos alunos da graduação e pós-graduação que participaram ativamente de todas as etapas da produção dos conteúdos veiculados no blog, oferecendo assim a oportunidade de praticar aquilo que os estudantes aprendiam em sala de aula, por meio da dinâmica da Agência. Devido a conjuntura dos fatos da época, em que a PEC 55 ameaçava ser aprovada, também observou-se a grande efervescência das discussões e reflexões críticas sobre política que marcou o processo de Ocupação desde o início e se refletiu na elaboração dos materiais que compuseram o blog posteriormente. A Agência se justifica principalmente pela relevância da discussão que provocou, por meio da análise crítica dos materiais produzidos, na tentativa de contribuir para o debate sobre a atuação da mídia durante esses fatos. A síntese de todo o trabalho resultou na criação do Blog Comunicação Ocupada e é justificada pela fala de CASTRO (2012) quando diz que precisamos destacar a prática contra hegemônica dos blogs que exercem uma ação primordial de comunicação na sociedade brasileira e tornam-se fonte de informação crítica e de primeira grandeza que servem para equilibrar o jogo de poder produzido pelos oligopólios. O blog é um exemplo de produto produzido no e para o ambiente web que apresenta características essenciais do ciberjornalismo, como descreve Schwingel (2012): multimidialidade, hipertextualidade, interatividade, memória, atualização contínua e flexibilização dos limites de tempo e espaço. Além de fragmentar a narrativa em conteúdos independentes e ao mesmo tempo complementares, o blog permite uma perspectiva multilinear (PALACIOS, 1999) de navegabilidade, ou seja, o usuário pode partir de qualquer conteúdo e ter sua própria experiência e interpretação. Por fim, a Agência Comunicação Ocupada apresenta uma enorme importância acadêmica e profissional para área de comunicação social, não somente no estado do Pará, mas também na região Norte e no Brasil, pois os estudantes puderam exercitar na prática as técnicas e aprendizados adquiridos em sala, além de vivenciar uma "quebra" de barreiras entre graduação e pós-graduação, alunos e professores e servidores e técnicos, em uma ação de comunicação, política e cidadania, que aliou as ferramentas do Jornalismo e da Publicidade aos esforços do midiativismo horizontal para potencializar o alcance social do movimento em defesa dos direitos fundamentais dos brasileiros.
 
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
A ideia de criação da Agência de Comunicação surgiu de uma reunião realizada entre os alunos, professores e técnicos que observaram a necessidade de ter um espaço que produzisse material jornalístico com uma abordagem diferenciada sobre as ocupações estudantis da UFPA. O nome Comunicação Ocupada foi escolhido como aquele que representou melhor o momento pelo qual a faculdade estava passando. Desde o início, o movimento de Belém optou pela decisão de ocupar os espaços da universidade – institutos, salas de aula, laboratórios, inclusive a Reitoria que foi a base da Ocupação – de forma proveitosa. Portanto, os integrantes da Ocupação definiram inúmeras atividades que seriam realizadas pelos alunos, técnicos e professores com o objetivo de instigar a reflexão crítica acerca do cenário político controverso que se instaurava com a possibilidade de aprovação da PEC 55. Dentre as atividades, foram promovidas palestras, aulões, entrevistas, rodas de conversa, cines debate e atos públicos externos à UFPA. 4.1 Estratégias de atuação adotadas pela Agência: A estrutura da Agência Comunicação Ocupada foi pensada para além da ocupação física da Faculdade de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Foram ocupados os projetos de extensão vinculados à Facom, criando, assim, cinco comissões de atuação: quatro com eixos jornalísticos e uma com eixo publicitário. - Jornal impresso (Jornal Laboratório Primeiras Linhas); Radiojornal (Rádio Web); - Audiovisual (Academia Amazônia) - Observatório de Mídia (que não estava ligado a um projeto de extensão, mas, foi vinculado ao PPGCom); - Oficina de Criação (projeto de extensão Multicom, voltado ao curso de Publicidade e Propaganda). Dessa forma, foram ocupadas primeiramente as páginas do Facebook de cada projeto. Em seguida, cada comissão ficou com a tarefa de monitorar e alimentar essas páginas, com conteúdo factual e formativo relacionado à Ocupação e seus desmembramentos. Para isso, foram utilizadas as estruturas dos projetos de extensão e dos laboratórios da graduação e da pós-graduação. Os recursos utilizados foram desde equipamentos técnicos, como câmeras fotográficas, gravadores digitais, smartphones, câmeras filmadoras, notebooks, computadores, estúdio de gravação e ilha de edição até os softwares responsáveis pela edição de imagens (Adobe Photoshop e Adobe Illustrator), edição de texto (Adobe Indesign), edição de áudio (Sony Sound Forge) e edição de vídeo (Adobe Premiere). Para integrar as comissões e evitar que os trabalhos não fossem realizados de forma isolada, foi formado um grupo no aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp, para que todos permanecessem a par das atividades que estavam sendo desenvolvidas. 4.2 As comissões de trabalho: - Jornal Impresso - O Primeiras Linhas é um jornal laboratório quadrimestral, vinculado à UFPA como projeto de extensão. O trabalho da equipe do jornal consistia em produzir material textual e fotográfico. Ao todo, foram elaboradas quarenta e três notas, matérias e reportagens, muitas das quais traziam notícias factuais do que estava acontecendo na Ocupação da universidade, como a tentativa de furar o bloqueio pela Marinha, ou como a cobertura das manifestações em Brasília no dia 29 de novembro. Além do conteúdo factual, também foram produzidos conteúdos formativos. Dessas produções, a que mais se destacou foi a "cartilha informativa sobre a PEC 55 e seus efeitos à população brasileira" (Em anexo). Este material foi publicado no mesmo dia em que aconteceu a votação da PEC 55, em primeiro turno, no Senado, no dia 29 de novembro. Essa comissão era coordenada por dois professores, Guilherme Guerreiro e Monique Igreja, juntamente com o aluno da graduação Everton Santos. - Rádio Web - A Rádio Web UFPA é a produtora de conteúdo em formato de áudio da universidade. De todos os projetos de extensão ocupados, a Rádio foi a que mais teve sua rotina modificada, pois possui uma grade de programação fechada e roda direto, sem interrupções, no site http://www.radio.ufpa.br/novaradio. Ao todo, a Rádio Web publicou 55 conteúdos inéditos em seu site, por meio das plataformas de áudio, Mixcloud e Soundcloud, no período da Ocupação. Alguns quadros da programação regular foram alterados: no lugar do "Jornal Acontece" ficou o quadro "Especial Ocupa", bem como no lugar do "UFPA Entrevista" ficou o quadro "Ocupa Entrevista", além de ser produzido o "Boletim da Ocupação" (Em anexo), com um resumo das principais notícias e programações do dia. Os integrantes desta comissão também fizeram plantões da ocupação e cobertura das manifestações e vigílias durante a votação da PEC. O grupo foi coordenado pela professora Lorena Esteves juntamente com o aluno Rodrigo Avelar e com os demais bolsistas do projeto. - Audiovisual - O Academia Amazônia é um projeto de extensão da UFPA destinado a realizar produções audiovisuais. Dessa forma, os bolsistas, técnicos e estudantes que escolheram ficar neste grupo produziram matérias, reportagens e documentários sobre o processo de Ocupação, manifestações na cidade de Belém e na cidade de Brasília (DF), com a orientação da professora Célia Trindade Amorim, coordenadora do projeto. Ao todo, foram realizadas dezessete produções, as quais se dividem em dois documentários, um minidocumentário, um infográfico em vídeo, uma matéria especial em formato entrevista, um videoclipe e onze matérias de aproximadamente 3 minutos cada. - Observatório de mídia - Diferente dos demais grupos aqui descritos, o Observatório de Mídia não nasceu de um projeto de extensão, mas partiu da ideia e da organização dos estudantes e professores do PPGCom e demais alunos da Facom, os quais tinham como objetivo monitorar e analisar informações que eram veiculadas na mídia sobre o processo de Ocupação da universidade e sobre a PEC 55. A comissão contava com a coordenação dos professores Rosaly Brito, Guilherme Guerreiro e Elaide Martins. Em entrevista, Rosaly descreve como se deu esta organização. "Nos dividimos em jornais impressos, Diário e O Liberal; portais noticiosos locais, ORM News, Diário Online (DOL) e o G1 Pará; em televisão, elegemos as duas televisões comerciais de maior audiência, Tv Liberal e a Tv Record Belém, e achamos por bem fazer um contraponto com a cobertura da Tv Cultura que é a emissora pública do estado. Para além disso, usamos também as narrativas independentes, pois achamos importante também dar um foco em outras formas de narrar os acontecimentos. Para isso, inicialmente pensamos no Mídia Ninja e Jornalistas Livres, mas ficamos apenas com a análise da Mídia Ninja" (BRITO, 2017). O Observatório de Mídia ficou dividido, portanto, em seis grupos/abas que analisaram jornais impressos, telejornais, portais locais, redes sociais, narrativas independentes e boletins. Ao todo foram oito Relatórios de Análise, realizados por meio do monitoramento das mídias descritas. - Oficina de Criação - A Oficina de Criação também faz parte da grade de projetos de extensão da UFPA e é voltada para o curso de Publicidade e Propaganda, da Faculdade de Comunicação. Os integrantes deste grupo construíram toda a identidade visual da Agência. Era deles a responsabilidade de criar as artes, gráficos, logos, tudo o que pudesse identificar, de alguma forma a Agência. Esta comissão se destacou na construção de materiais que viralizaram na internet, como o vídeo "Ocupação em números". Outros materiais elaborados foram: posts que divulgavam dados atuais da ocupação; agenda de atividades do movimento; layout das matérias de divulgação e dos eventos da ocupação; cartilhas, impressas e virtuais, de esclarecimento sobre a PEC; e peças para as manifestações. Essa comissão, representada por Renato Brito, Lívia Fialho e Élida Miranda, ajudou substancialmente também na criação do blog, juntamente com o idealizador Victor Lopes.
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO
O blog foi pensado para ser um repositório no qual pudéssemos abrigar as principais produções realizadas pela Agência, já que todo o material que ia sendo produzido pelas comissões era publicado nas páginas dos projetos de extensão ocupados, ficando um conteúdo disperso. Ele foi idealizado seguindo a estrutura de trabalho estabelecida anteriormente, ou seja, a sua divisão foi baseada nos cinco eixos de atuação. A sua função foi basicamente organizar e desenhar o espaço de trabalho, ser um repositório de memória do que foi produzido pela Agência e uma fonte de referência, interna e externa, quando um internauta buscasse o assunto "ocupação". O blog foi feito em conjunto com a equipe da Oficina de Criação que tinha como tarefa desenvolver a identidade visual. Outro grupo ficou responsável pela parte funcional, linguagem de programação, design e atualização. As definições das características da identidade visual da Ocupação tinham sido definidas pela Oficina de Criação logo no início do movimento, quando foi decidido ocupar as páginas dos projetos de extensão. Portanto, quando o blog foi criado, não foi necessário um momento para desenvolver a ideia. A "arte" foi somente adequada ao template do blog. A plataforma Blogspot foi escolhida por ser uma ferramenta gratuita, sem que houvesse investimento financeiro para se ter um domínio na internet. A liberdade de customização que a ferramenta proporciona também foi um ponto a favor da sua escolha. O blog está disponível no link www.comunicacao-ocupada.blogspot.com. O layout do blog da Agência (anexo 1) é simples, idealizado por Victor Lopes (mestrando do PPGCom) e com a identidade visual produzida pela oficina de criação. Possui na barra de ferramentas sete abas: Home, O que é, Observatório de imprensa, Academia Amazônia, Primeiras Linhas, Rádio Web, e Notas e Manifestos. Cada aba direciona ao conteúdo elaborado pelos grupos de trabalho descritos acima. No lado esquerdo da "Home" (anexo 2) aparecem as últimas matérias publicadas e ao lado direito algumas das campanhas produzidas pela Agência, como as cartilhas sobre a PEC 55 e a campanha de "Pressão nos Senadores". Além de aparecer um tópico que direciona o internauta para a página da Rádio Web. Mais abaixo, do lado esquerdo (anexo 3), temos a continuação das matérias publicadas mais recentemente e, ao lado direito, um link para a página da Facom e abaixo as marcas dos apoiadores. Para ilustrar a explicação desta Agência como produto, selecionamos cinco (sub)produtos construídos durante o processo de ocupação. Estes materiais são referentes a cada grupo de trabalho formado na Agência e já citados anteriormente. Foram escolhidos por demostrarem como acontecia a convergência midiática e como se deu a criação de um espaço alternativo para trabalhar a atual conjuntura política do país. 5.1. Cartilha da PEC (Primeiras Linhas): A cartilha da PEC foi o material escolhido para ilustrar neste paper o grupo impresso da agência. A cartilha foi produzida pela estudante da graduação Juliana Araújo, que foi auxiliada pelos professores Guilherme Guerreiro e Monique Igreja. O conteúdo da cartilha abrange o conceito de Proposta de Emenda Constitucional, levando em consideração a que estava sendo votada na época, a 55, conhecida também como PEC do teto. A proposta da cartilha era explicar como essa PEC afetaria a vida dos cidadãos, caso fosse aprovada. 5.2. Especial Ocupa – cobertura midiática das ocupações (RádioWeb): A matéria "cobertura Midiática das ocupações" primeira matéria do Especial Ocupa produzida pela bolsista da Rádio Web UFPA Ádria Azevedo, tinha como objetivo levar ao conhecimento do ouvinte como estava sendo realizada a cobertura midiática das redes hegemônicas da nossa região. A principal fonte foi o Observatório de Mídia que foi criado justamente para fazer analises sobre como os jornais impressos, jornais televisivos e portais de notícias estavam noticiando sobre a ocupação. Resumidamente a matéria expõe a dinâmica de participação da Faculdade de Comunicação durante a ocupação, a comunicação ocupada. Em seguida aborda a cobertura midiática a partir de análises realizadas por alunos e professores no Observatório de Mídia. O grupo de professores após obterem resultados, chegaram a conclusão que a cobertura feita pela grande mídia era problemática, já que pouco foi noticiado sobre o movimento de ocupação gerando o silenciamento dos objetivos dos participantes que era a não aprovação da PEC 55. A matéria tem quatro minutos e onze segundos, contou com três entrevistados, foi veiculada na Rádio Web UFPA no dia 5 de dezembro de 2016 às 13h, parte de um especial sobre a PEC 55 que tinha ao todo seis matérias especiais. 5.3. Coletiva de imprensa do comando unificado de greve (Academia Amazônia): A matéria do Academia Amazônia selecionada para este paper foi uma coletiva de imprensa em que os manifestantes se posicionaram sobre os mais recentes acontecimentos da Ocupação na UFPA, naquela época. A reportagem foi feita pela estudante Fernanda Damasceno e as filmagens foram realizadas pela equipe de cinegrafia do Academia Amazônia. Na matéria, a repórter Fernanda entrevista representantes das três categorias do comando de greve da universidade e os entrevistados falam sobre a Ocupação e como professores, técnicos e estudantes se posicionam diante do movimento. A matéria tem dois minutos e cinquenta e oito segundos, contou com três entrevistados – um de cada categoria: professores, técnicos e estudantes – foi veiculada na página do Academia Amazônia. 5.4. Observatório de Mídia: A matéria do observatório de Mídia selecionada para este paper foi escrita pelas professoras Rosaly de Seixas Brito e Manuela Corral, ambas integrantes do PPGCOM/UFPA. O texto visa analisar as emissoras de TVs locais já que gradativamente, segundo as autoras, foram retirando a ocupação das pautas dos jornais locais. No texto, as pesquisadoras afirmam que: "Em ambas, com pequena variação, o movimento só foi pautado na semana que se seguiu à sua deflagração". Dessa forma, as pesquisadoras discutem a problemática da não divulgação da ocupação tanto pelas TVs privadas: Record e TV Liberal, como pela emissora do estado, TV Cultura. 5.5. Ocupação em números (Oficina de Criação): O vídeo foi produzido durante a Ocupação da UFPA por parte dos estudantes, com o intuito de divulgar, em uma só peça, todos os dados a respeito das ocupações que estavam acontecendo por todo Brasil. As informações reunidas diziam respeito ao número de universidades e campi ocupados no país, bem como de escolas e institutos secundaristas (de acordo com relatório divulgado pelo ANDES). Em âmbito estadual, o vídeo mencionava as 5 universidades públicas já ocupadas e os 9 campi da UFPA envolvidos. A peça foi produzida pela estudante Lívia Fialho com orientação do técnico Renato Brito.
 
CONSIDERAÇÕES
Este trabalho teve como objetivo apresentar a Agência Comunicação Ocupada, uma construção coletiva, horizontalizada e colaborativa dos estudantes de Comunicação da UFPA, em parceria com professores e técnicos-administrativos. Com a criação da Agência, os estudantes de comunicação puderam, na prática, aprimorar os conhecimentos aprendidos em sala de aula. Os alunos confrontaram e partilharam ideias, planejaram e executaram conteúdos, desenvolvendo suas habilidades por meio do uso das técnicas de apuração, produção e distribuição das notícias. Para exemplificar um pouco do alcance obtido, temos a experiência da Rádio Web. No total, foram 320 conteúdos produzidos para as mídias da Rádio. No site da Rádio, o crescimento de acessos chegou a 34%. Na página da emissora no Facebook, um total de 44.165 pessoas foram alcançadas durante o processo, um recorde. Em seu perfil no Twitter, obteve um crescimento de visitas de 127%. As contas nas plataformas MixCloud e SoundCloud receberam mais de 1.000 reproduções do conteúdo de áudio postado. O blog "Comunicação Ocupada" também é um exemplo dos resultados alcançados pela Agência. Com um total de 105 postagens, o blog teve 13.401 visualizações de página ao final da Ocupação. A publicação de maior destaque foi a da Cartilha sobre a PEC 55 com 2.493 visualizações e em segundo lugar a postagem "OBSERVATÓRIO: Internet ocupada: na contramão da mídia tradicional" com 738 visualizações. Portanto acreditamos que a Agência Comunicação Ocupada cumpriu o seu papel e alcançou os seus objetivos no que tange ao proposto inicialmente de desmistificar os estigmas e preconceitos contra os processos de Ocupação. Foi por meio da Agência que pudemos mostrar o outro lado da moeda, a construção coletiva e horizontal de uma luta em prol de uma causa comum, a efervescência cultural, política e democrática dentro da universidade. Além de proporcionar um olhar crítico sobre o fazer jornalístico e o papel social do jornalista no exercício da profissão.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁICAS
BUCCI, Eugênio. A forma bruta dos protestos. Das manifestações de junho de 2013 à queda de Dilma Rousseff em 2016. São Paulo, 2016.

CASTRO, Fabio Fonseca de. Comunicação, Poder e Democracia. Labor Edições, 2012.

GOMES, L. F. Cinema nacional: caminhos percorridos. São Paulo: Ed.USP, 2007.

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. Aleph, 2015.

PALACIOS, Marcos. Hipertexto, fechamento e o uso do conceito de não-linearidade discursiva. Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 08, p. 111-121, 1999.

SCHWINGEL, Carla. Ciberjornalismo. São Paulo: Paulinas, 2012.