INSCRIÇÃO: 00623
 
CATEGORIA: JO
 
MODALIDADE: JO08
 
TÍTULO: O Protagonismo Juvenil na Ocupação
 
AUTORES: Everton pereira dos santos (Universidade Federal do Pará); Lorena Cruz Esteves (Universidade Federal do Pará); Monique Feio Igreja (Universidade Federal do Pará)
 
PALAVRAS-CHAVE: Protagonismo, Juventude , Ocupação, Jornalismo Impresso, UFPA
 
RESUMO
O presente paper apresenta a reportagem “O Protagonismo Juvenil na Ocupação”, que foi requisito parcial de avaliação do Laboratório de Jornalismo Impresso 2 da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará. O produto apresenta os desdobramentos da Ocupação Estudantil na UFPA, a qual objetivou resistir às medidas que estipularam um teto de gastos que afeta diretamente as áreas da saúde e educação, na gestão do Presidente Michel Temer. O intuito da reportagem é apresentar uma visão alternativa à mídia tradicional, sobre a Ocupação. Para isso, foram feitas pesquisas bibliográficas, entrevistas e observação participante dos atos e processos que fizeram parte do movimento social dos estudantes, apurando a vivência jornalística necessária aos laboratórios experimentais. A reportagem proporcionou uma importante experiência jornalística e um repertório social mais crítico.
 
INTRODUÇÃO
A juventude brasileira tem desempenhado um importante papel como força social renovadora (POERNER, 1979), protagonista de movimentos que lutam, sobretudo, por mudanças no sistema político-econômico e por melhorias que vão desde a garantia de direitos individuais, até conquistas sociais coletivas. Em 2013, mais uma vez os jovens surgiram como importantes agentes sociais, ao liderar um movimento denominado por muitos autores como “Jornadas de Junho” (em referência ao mês que foi o ápice dos protestos), “Primavera Brasileira” (em alusão à Primavera Árabe, que também foi um conjunto de manifestações lideradas por estudantes) ou simplesmente como “Revolução dos 20 centavos” (exemplificando um movimento que teve início na cidade de São Paulo, devido à insatisfação pública diante do aumento da tarifa do serviço de transporte coletivo). A partir disso, o que se viu foi a mobilização, principalmente pelas redes sociais, de um grupo majoritariamente formado por jovens e denominado “Movimento Passe Livre” que conseguiu desencadear por todo o país uma onda de manifestações que consistia em marcha pelas ruas. Em 2015, o protagonismo teve novo contexto e lugar para se desenrolar: as escolas e universidades (DARDOT; LAVAT, 2016). A ação dos jovens estudantes se expandiu rapidamente, conforme explicam Santos e Segurado (2016), e colocou na agenda política brasileira alguns temas que já vinham sendo debatidos, como educação pública, protagonismo juvenil e desenvolvimento de novas práticas políticas. Assim, em setembro de 2015, após o anúncio do fechamento de cerca de 93 escolas pelo então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, os alunos decidiram protestar de um jeito diferente. Eles ocuparam literalmente o espaço escolar, dando início ao movimento de Ocupação, que teve seu ápice em 2016, após a possível aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 55 (PEC 55)pelo Congresso Nacional, que estipulava um teto de gastos que atingiria diretamente as áreas da saúde e educação.
 
OBJETIVO
A produção do produto teve o intuito de provocar reflexão acerca das manifestações juvenis e mostrar aos leitores outras abordagens sobre o movimento, na tentativa de desconstruir os estigmas e preconceitos criados pela grande mídia à respeito da manifestação, que foi criticada por muitas pessoas devido à criminalização do movimento por parte dos veículos de jornalismo impresso, radiofônico, televisivo e digital Além disso, a reportagem tem a premissa de mobilizar as pessoas a conhecerem a Ocupação, afinal, um dos dilemas dos ocupantes era justamente a criminalização do movimento por parte da mídia hegemônica. Pois, quando não havia um silenciamento total dos atos, os veículos jornalísticos eram tendenciosamente negativos, ocasionando uma grande intolerância da sociedade com os estudantes, que muitas vezes eram caracterizados como impedidores do direito ao estudo. E isso reverberava no ambiente acadêmico, onde muitos estudantes que não conheciam a manifestação se mostravam contrários às medidas adotadas pelos ocupantes, hostilizando os estudantes envolvidos no processo e questionando o porquê de impedir a ocorrência das aulas.
 
JUSTIFICATIVA
A motivação em escrever uma reportagem sobre a Ocupação se deve ao fato de haver um silenciamento na voz desses manifestantes. Daí a necessidade de um produto que pudesse discorrer os fatos sob a perspectiva desses indivíduos. Uma juventude caracterizada pela inquietação, pela luta por mais direitos a todos e também pelos turbilhões de pensamentos e construções culturais que se afloram. Tudo isso mostra a importância de escrever sobre jovens. O cotidiano dos ocupantes merece ser apresentado às pessoas. Embora a população não saiba, muito por conta do discurso silenciador da grande mídia, os estudantes procuravam reforçar que não estavam ociosos, e sim articulados e trabalhando. Na UFPA, a programação do “OCUPA” era definida em reuniões que sempre terminavam na madrugada, devido ao grande número de participantes que emitiam suas opiniões. Logo pela manhã, eles acordavam e já organizavam as primeiras programações do dia. Tudo isso era desconhecido pelas pessoas, inclusive da própria comunidade acadêmica, visto que o movimento nunca foi unanimidade. Por isso, a importância de falar do tema em uma reportagem se dá na imersão aos fatos, dentro do ambiente, por meio do jornalismo impresso, que embora esteja posto em cheque pelas mídias digitais que são mais rápidas, ainda tem um papel importante na divulgação de informações mais aprofundadas. A reportagem possibilita a vivência do público nos fatos. Visando atender a necessidade de ampliar os fatos, de colocar para o receptor a compreensão de maior alcance, é que o jornalismo acabou por desenvolver a modalidade de mensagem jornalística batizada de reportagem. É a ampliação do relato simples, raso, para uma dimensão contextual. (LIMA, 2008, p.18). Para isso, foi feito o planejamento com a elaboração de uma pauta bem estruturada que previa o volume de informação necessário para a garantia de eventuais “quedas” de pauta e ainda matérias que poderão ser aproveitadas posteriormente (LAGE, 2005 p. 37). Além disso, é importante entender que apesar de o movimento de ocupação ter iniciado nas redes sociais, e tenha sido facilitado por elas, foi na convivência do dia a dia que a articulação ficou mais forte e se tornou, de fato, um exemplo de mobilização, mesmo com tantas divergências. Embora esses movimentos geralmente se iniciem nas redes sociais da internet, eles se tornam um movimento ao ocupar o espaço urbano, seja por ocupação permanente de praças públicas, seja pela persistência das manifestações de rua. O espaço do movimento é sempre feito de uma interação do espaço dos fluxos na internet e nas redes de comunicação sem fio com o espaço dos lugares ocupados e dos prédios simbólicos visados em seus atos de protesto. (CASTELLS, 2012, p. 129). A contribuição acadêmico-social em escrever sobre um movimento liderado por estudantes se dá ao perceber que não houve uma apropriação superficial do discurso criado durante a ocupação. Foi possível desenvolver um olhar crítico e reflexivo sobre o contexto político, além de ter sido um momento de construção cidadã, que não impossibilitou reflexões sobre assuntos de natureza social como a questão LGBT, o racismo, o protagonismo feminino entre outros. Eugênio Bucci reforça em sua obra que uma série de atitudes do governo acenderam o alerta para essa juventude mobilizadora e protagonista: No Brasil, como já se tinha visto nos países varridos pela Primavera Árabe, o Estado demorava demais para entender e responder às insatisfações sociais que, sem ter para onde escoar, explodiam na forma de clamor material. O governo tardava. A lei tardava. A justiça tardava (e, por tardar, falhava). (BUCCI, 2016, p. 80). É importante ressaltar que apesar das leituras acadêmicas terem influenciado no resultado da reportagem, as entrevistas realizadas com os envolvidos no processo de ocupação foram de extremo enriquecimento cultural e intelectual. Afinal, é interessante, além de expor os fatos, humanizar os acontecimentos.
 
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
A escolha da reportagem jornalística como produto para tratar sobre a temática central da Ocupação se deu em virtude de ser um formato que proporciona a possibilidade de aprofundar os fatos. O principal objetivo de uma reportagem é informar com profundidade e exaustividade, contando uma história. No meio jornalístico ouve-se frequentemente a expressão “uma reportagem é uma notícia vista à lupa”. Mas, neste gênero, procura-se ainda que o leitor “viva” o acontecimento. Para o conseguir, a reportagem pode abrigar elementos da entrevista, da notícia, da crônica, dos artigos de opinião e de análise. (SOUSA, 2001 p. 259). Para se chegar ao resultado obtido na reportagem, foram realizadas pesquisas bibliográficas sobre o assunto. A leitura de artigos e obras que contemplassem não só a temática dos movimentos sociais, mas também os modos do fazer jornalístico, especialmente na construção de reportagens, foi essencial para se chegar ao resultado final. Além disso, a pirâmide mista foi utilizada como técnica, com o texto começando como uma crônica, e depois seguindo com a temática do protagonismo juvenil na ocupação. Mas optou-se por, antes de destrinchar o assunto, remontar cronologicamente alguns passos dos movimentos estudantis durante os últimos 60 anos, para, depois, se chegar na Ocupação e tratar de todos os aspectos que contemplam esse tema, em especial os jovens como principais agentes sociais. No processo de construção da matéria, foram utilizados gravadores de áudio de smartfones para colher as entrevistas dos personagens. Em seguida, foi realizada a decupagem de todos os áudios. A matéria foi editada no espaço do laboratório de impresso dois, onde foi possível ter acesso a computadores equipados com editores de texto, como o Microsoft Word. O fato é que os relatos orais são a primeira grande mídia da humanidade. O historiador Peter Burke classifica-os como um meio de comunicação específico e importante, mas que tem recebido pouca atenção da historiografia oficial, apesar da vasta literatura sobre a oralidade. Mesmo muito tempo após a invenção da escrita, a comunicação oral continuou (e continua) poderosa. (PENA, 2008, p.3). Quanto a construção visual da reportagem, foi utilizado um software de diagramação (programa que auxilia na organização de textos e fotos com o intuito de harmonizar o aspecto visual com o conteúdo da reportagem), por isso, o Adobe InDesign CS6 foi usado. Para a captura de imagens foram utilizadas câmeras fotográficas cedidas pela Faculdade de comunicação da UFPA, as quais possibilitaram a cobertura de atos e reuniões referentes à Ocupação. As fotografias presentes na reportagem são oriundas do acervo de imagens dos alunos envolvidos com a cobertura da Ocupação na universidade Federal do Pará. Seguindo esse processo, foi possível aprofundar a reportagem para que ela objetivasse informar pessoas e desconstruir ideias contrárias ao movimento. A notícia foi sendo moldada pouco a pouco para, enfim, se tornar uma grande reportagem. João Pedro Sousa, em seu livro “Elementos do jornalismo impresso”, ressalta que o jornalista é quem define o que é uma reportagem, de acordo com seus critérios de noticiabilidade: A palavra reportagem, para além de denominar um gênero jornalístico, tem ainda o sentido de ação. Diz-se que um jornalista está “em serviço de reportagem” quando ele se encontra no exterior do jornal a cobrir determinados acontecimentos. O fato de um jornalista sair em reportagem não implica que ele venha a escrever uma reportagem, pois poderá optar por uma notícia ou por outro gênero. (SOUSA, 2001, p. 260). Além da realização das entrevistas, foi necessário acompanhar os atos realizados pelo Movimento Ocupa, para se ter uma vivência dos episódios e poder aprofundar ainda mais a reportagem. Nesses atos, a fotografia exerceu um dos papéis principais: o registro imagético dos acontecimentos, e também as conversas e observações do jornalista diante de tudo o que compunha os protestos, que ocorriam em instituições e ruas de Belém. A câmera usada foi a DX NIKKOR 105mm da Nikkon.. Para a construção do acervo de entrevistas, foram utilizados gravadores de áudio de smartfones, além de, em alguns casos, terem sido realizadas por envio de áudio através de aplicativos de mensagem instantânea e via email. Logo, a ida às manifestações se fez importante para a construção da reportagem em todas as suas formas.
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO
João Pedro Sousa, em seu livro “Elementos do jornalismo impresso”, trata do conceito de reportagem. Ele afirma que abordar um fato é, sobretudo, contar uma história: Escrever uma reportagem é, antes de mais nada, contar uma história. Esta frase deve ser repetida. Pode ser a história de uma vida, a história de um acontecimento, a história de um lugar, a história de uma viagem. Mas não deixa de ser uma história. Portanto, antes de se fazer uma reportagem, há que ponderar se a história que vai ser contada merece efectivamente ser contada, à luz dos critérios de noticiabilidade. (SOUSA, 2001, p. 263) “O protagonismo juvenil na Ocupação” se constitui em uma reportagem de dez páginas contendo fatos sobre a manifestação estudantil na UFPA de Belém e interior do Pará, além de elencar alguns episódios em que os jovens exerceram o protagonismo nas ações sociais em outros períodos da história brasileira mais recente. Além disso, a reportagem contém relatos de pessoas que tiveram relação direta ou indireta com o movimento, que se propôs a ser horizontal na sua organização. Os ocupantes afirmavam que não havia liderança no movimento, mas uma forma de poder articulado onde todos tinham os mesmos direitos e deveres, sem nenhuma hierarquia. É importante ressaltar que apesar da reportagem tratar da Ocupação como uma maneira pacífica e enriquecedora de se protestar, ela também procura ouvir as críticas ao movimento. A construção do produto ocorreu na disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso 2, do ano de 2016, mas que se estendeu até 2017 após o período da própria Ocupação. A reportagem discorre sobre os fatos ocorridos no estado do Pará, mais precisamente na Universidade Federal do Pará, onde o processo de Ocupação se iniciou primeiramente no interior, mas depois chegou a capital, ocasionando um forte e articulado movimento que, por mais de 40 dias, promoveu intensas programações. Ademais, o período de produção da reportagem se deu após a Ocupação, no retorno às aulas. Assim, o tempo de construção possibilitou a reflexão para sua melhor forma de elaboração. Uma reportagem, normalmente, não sofre tanto as pressões do tempo como a notícia e permite uma maior interpretação pessoal do assunto por parte do jornalista. Este pode estudar o tema, procurar informação, contatar fontes e até ensaiar o estilo com alguma calma e ponderação (SOUSA, 2001, p. 260). Logo, se escolheu a reportagem para tratar da Ocupação, devido ser um gênero mais adequado para se contar histórias com um aprofundamento maior. A reportagem é o relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que já são percebidas pela instituição jornalística (MARQUES, 2003, p.66). As entrevistas foram imprescindíveis na construção do texto, que se manteve fiel às palavras de cada personagem e aos fatos. Por sua vez, a entrevista é um relato que privilegia um ou mais protagonistas do acontecer, possibilitando-lhes um contato direto com a coletividade (MARQUES, 2003, p.66). Partindo desse princípio, os entrevistados durante a reportagem puderam relatar seus repertórios, vivências e opiniões sobre a Ocupação e protagonismo dos jovens. Flávia Câmara – A estudante da Pós-graduação em Psicologia falou da inquietação que sempre teve com as estruturas sociais. E ao ter contato com o centro acadêmico do seu curso, pôde conhecer a militância estudantil, que, segundo ela, foram essenciais na sua formação acadêmica e pessoal. Flávia também afirmou que os ganhos do movimento estudantil visam soluções a longo prazo, pois a luta é árdua e demorada; Denise Salomão – A graduanda de Jornalismo foi uma representante de todos os estudantes durante a sua ida na Caravana da UFPA até Brasília, no dia do primeiro turno da votação da PEC 55. Segundo ela, o objetivo do movimento era barrar as medidas do governo Temer, que dentre outras coisas, atinge a educação e a saúde, consideradas áreas importantes para a sociedade. Afirma ainda que, apesar da união do movimento estudantil, não houve a principal vitória, que seria o impedimento da Proposta de Emenda Constitucional; Estrela Carvalho – A secundarista, que conheceu o feminismo e outros movimentos sociais ainda no começo do ensino médio, se dizia confiante na articulação dos estudantes. Segundo ela, os jovens estão protagonizando mais uma vez uma manifestação social, e isso mostra que não há brincadeira, e sim, um nítido foco da juventude em busca de melhores condições para a sociedade como um todo; Leila Leite – A pesquisadora falou do movimento de Ocupação e pontuou que o jovem sempre foi rebelde e questionador. Isso, muitas vezes, significava receio aos adultos que, segundo ela, precisam sempre do controle da situação. Ela afirmou ainda que o jovem é protagonista em todos os momentos; Francine Penha – Em Castanhal, cidade localizada a 60 quilômetros de Belém, a Ocupação se mantinha firme, mesmo com poucos estudantes envolvidos na organização. Segundo a estudante de Letras, os poucos alunos envolvidos poderiam ser um problema, mas de certa forma foi uma experiência produtiva pois eles se uniram mais e faziam as programações de acordo com as habilidades de cada um; Felipe Canté - Representante de um movimento contrário à Ocupação e graduando em Economia na UFPA, ressaltou que a unanimidade não caracterizava o processo. Além disso, o estudante afirmou que a decisão por ocupar o espaço universitário não foi democrática. Além disso, no dia da votação, disse que houve excesso por parte dos manifestantes favoráveis ao movimento de Ocupação. Raimundo Moraes – Advogado, foi participante de manifestações estudantis de outro tempo. No final dos anos 1980, participava do movimento estudantil e tinha como objetivo a luta por uma democracia, de fato, possível a todos. O Impeachment de Collor e o movimento dos “Caras Pintadas” foram o marco daquela geração. Mesmo com a mobilização dos estudantes, atualmente alavancada pela internet, Raimundo critica alguns aspectos do movimento estudantil. Após colher as entrevistas, a organização da reportagem começou a ser pensada. Assim, iniciou a diagramação (elaboração de layout com vistas a representar os elementos componentes do material a ser impresso), que foi executada no programa Adobe InDesign CS6, que possibilitou todos os recursos gráficos para a formatação. Assim, foram usados: Título - com tamanho superior aos demais componentes do texto, para ressaltar o que se pretende explorar no produto; Retrancas - tem o objetivo de deixar a leitura mais fluída e o texto menos cansativo; Olhos - (frases ou falas destacadas da reportagem), que são usados para proporcionar um visual mais agradável ao leitor, além da função de também deixar o texto sem muitos excessos; Fotografias - de autoria de dois alunos da Faculdade de Comunicação da UFPA. Foram feitas durante os atos realizados em Belém e durante a Caravana à Brasília, que integrou estudantes de todo o Brasil que estavam participando das Ocupações; Fonte - Tahoma, tamanho 16 no corpo do texto, 18 na legenda das fotos, 14 nos créditos das fotos e 40 nos olhos; Colunas - Optou-se pelo uso de 2 colunas para o corpo da reportagem. É importante ressaltar que o trabalho da diagramação foi supervisionado por um técnico, e pelas orientadoras do trabalho que disponibilizaram dicas acerca da construção da identidade visual da reportagem, e supervisionaram a organização apresentada.
 
CONSIDERAÇÕES
É importante reverberar a voz daqueles que costumam ser silenciados. Os ocupantes foram tratados pela mídia como vândalos, preguiçosos, etc., influenciando o imaginário coletivo e reforçando estigmas e estereótipos sociais. A Ocupação consistiu em uma manifestação nova, que tinha na apropriação de espaços educacionais o seu maior trunfo. Os estudantes estavam articulados e desenvolvendo programações formativas dentro dos espaços. Então, faz-se necessária a produção de reportagens que mostrem o movimento a partir de outro viés. A Ocupação foi uma forma de manifestação horizontal que teve mais uma vez como protagonistas os jovens. Eles foram os representantes da sociedade diante da insatisfação pública com as medidas tomadas pelo governo de Michel Temer. Um movimento que se configurou na internet, em 2015, mas que rapidamente tomou proporções gigantescas. Seguindo a perspectiva de que os movimentos são virais e se propagam com mais facilidade pela internet, é visível como ela viraliza essas formas de protesto. Mas, acima de tudo, os jovens representam o protagonismo social, que é um dos motores da sociedade contemporânea e responsável por gerar inquietação nas pessoas. A Faculdade de Comunicação da UFPA decidiu aderir ao movimento de Ocupação estudantil e, com isso, propôs uma lógica de cobertura em seus mais diversos veículos de informação. E foi nesse ambiente de aprendizado e repertório social que a reportagem foi produzida, pois, acompanhar diferentes protestos inspira o sentimento de mudança nas pessoas, e é de extrema importância que o jornalismo divulgue essas possíveis mudanças.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁICAS
BUCCI, Eugênio. A forma bruta dos protestos: Das manifestações de junho de 2013 à queda de Dilma Rousseff em 2016. São Paulo: Companhia da Letras, 2016.

CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

LAGE, Nilson. Teoria e Técnica do texto Jornalístico. Rio de Janeiro: Elsevier,2005.

LIMA, Edvaldo Pereira. O que é livro-reportagem. 1ªed. São Paulo: Coleção Primeiros Passos, 1993.

MARQUES DE MELO, José. Jornalismo Opinativo: gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. 3ª ed. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2003.

PENA, Felipe. O jornalismo literário como gênero e conceito. Contracampo (UFF), v.17, p. 43-58, 2007.

POERNER, A.J (1968). O Poder Jovem – história da participação política dos estudantes brasileiros. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

SANTOS, Marcelo B. P.; SEGURADO, Rosemary. Ocupação dos espaços públicos e a produção do comum: a ação política dos estudantes secundaristas nas escolas públicas de São Paulo. Caxambu (MG): ANPOCS, 2016.

SOUSA, Jorge Pedro. Elementos de jornalismo impresso. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2005.