INSCRIÇÃO: 00674
 
CATEGORIA: JO
 
MODALIDADE: JO09
 
TÍTULO: Importância da inclusão na educação infantil- Uma reportagem radiojornalística para crianças
 
AUTORES: Inaiá Brandão Mello (Universidade do Sagrado Coração); Daniela Pereira Bochembuzo (Universidade do Sagrado Coração)
 
PALAVRAS-CHAVE: Criança, Inclusão, Jornalismo, Rádio, Reportagem
 
RESUMO
O presente trabalho, desenvolvido na disciplina de Laboratório de Jornalismo Radiofônico II, do curso de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração, tem como objetivo levar o tema acessibilidade para o público infantil, trabalhando a inclusão em múltiplas vertentes. Utilizando de características textuais jornalísticas como clareza, objetividade e simplicidade, o produto busca motivar a criança ouvinte a trabalhar o seu senso crítico e, também, a sua solidariedade. A reportagem em questão ressalta o quão importante é respeitar as diferenças do próximo por meio de reflexão e inspiração para transformar o mundo em um lugar melhor.
 
INTRODUÇÃO
A “Importância da inclusão na educação infantil- Uma reportagem radiojornalística para crianças” busca tratar o tema acessibilidade voltada ao público infantil. A escolha do assunto se deu pela importância e relevância do assunto. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.934/96) entende como um direito garantido a inclusão escolar de alunos com deficiência em escolas regulares. A acessibilidade, intrínseca à inclusão, é um fator muito importante no processo inclusivo, representando um desafio a ser superado, uma vez que são muitas as dificuldades e barreiras encontradas no acesso e nas práticas pedagógica dos professores. No artigo 1º do Decreto Nº 7.611, de 17 de Novembro de 2011, define-se ser dever do Estado a garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades; o aprendizado ao longo de toda a vida; a adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena. A Educação Inclusiva, entretanto, não ocorre de uma hora para outra, pois se trata de um processo cheio de especificidades, porém fundamental quando se pensa em construir uma sociedade inclusiva[...] Para isso é necessário contar com o envolvimento e participação de todos nesse processo. (ALMEIDA; LEITE, 2006, p.10). Pais, alunos, professores e o ambiente devem trabalhar em conjunto em prol de uma escola que possa estabelecer igualdade para todos. Nessa perspectiva, a reportagem busca levar para as crianças o universo da acessibilidade de modo que elas sejam capazes de entender a importância de se viver e conviver em um meio inclusivo. Para tal feito, foi importante que a reportagem informe o conceito, a aplicação e a prática sobre o tema, ilustrando a acessibilidade com profissionais do campo e com crianças, tornando a reportagem ainda mais próxima do público infantil.
 
OBJETIVO
A grande reportagem radiofônica objeto deste trabalho tem como objetivo geral abordar o tema acessibilidade desde o seu conceito até sua aplicação tendo como foco o ouvinte infantil. Sendo assim, tem-se como objetivos específicos: refletir e debater com as crianças sobre a inclusão de pessoas com deficiência na educação infantil; demonstrar a importância da escola, do professor e dos próprios alunos na inserção desses deficientes na sociedade; ressaltar o quão é importante respeitar as diferenças e diversidades do próximo e de forma a transformar o mundo em um lugar melhor por meio da prática de boas ações.
 
JUSTIFICATIVA
O rádio, desde seu surgimento no Brasil, foi um veículo de comunicação voltado de forma pioneira à cultura e à educação da população. O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças; o consolador do enfermo; o guia dos sãos; desde que realizem com espírito altruísta e elevado. (ROQUETTE-PINTO apud FERRARETTO, 2001, p.97). Essa conceituação se reflete na reportagem de rádio objeto deste trabalho, uma vez que, desde o princípio, buscou-se trazer um assunto que, de alguma forma, contribuísse com a cultura e o pensamento do ouvinte. Levar conteúdos educativos para crianças é ter a oportunidade de contribuir com a construção do pensamento crítico e motivá-las à reflexão de assuntos sociais relevantes, como a modificação e adaptação de escolas e demais ambientes para o acesso e inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a inclusão de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades em classes comuns tem aumentado. De acordo com o censo escolar de 2008, o percentual era de 31%, sendo que no ano passado esse número aumentou para 57,8% nas escolas brasileiras. Desta forma, é nítida a importância de um tema como esse quando analisamos a educação como uma das grandes bases do cidadão. As escolas, junto com os alunos e professores, exercem papel valioso na construção do indivíduo. E, ao pensar em pessoas com deficiência, nos esbarramos em dificuldades e para isso é preciso um olhar mais atento a questões como a inclusão. Tendo isso em vista essa perspectiva, a reportagem radiofônica utiliza-se de preceitos como clareza, precisão e concisão, de forma a levar conhecimento às crianças ouvintes. A reportagem é o gênero mais rico entre os utilizados no rádio, desde a perspectiva informativa. Na prática é o menos utilizado por exigir uma elaboração conscienciosa. Sua riqueza provém em primeiro lugar, da ausência de uma estrutura rígida neste gênero, o que permite a intervenção da criatividade em uma grande medida, sem esquecer que se trata de uma narração de caráter informativo. (PRADO, 1989, pg. 85). Atentando-se, então, as funções que todo jornalista deve praticar durante a apuração, de forma a levar informação e conhecimento para outras pessoas, a reportagem deste trabalho, através de uma linguagem dinâmica e leve, procura trabalhar de forma satisfatória o tema acessibilidade, que faz parte dos direitos humanos e, portanto, conteúdo fundamental para compartilhamento com as crianças, afinal, de quem emana a esperança para mudar o futuro do país. Ademais, entende-se que a inclusão precisa ser trabalhada em conjunto por vários setores da sociedade. Quanto maior for o debate, maior será a possibilidade de se conviver em uma sociedade livre de preconceitos, de pré-julgamentos e que saiba respeitar as diferenças.
 
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
Como primeiro passo para a realização da reportagem, foi realizado levantamento de possíveis assuntos que seriam relevantes para abordar com as crianças. Após a escolha do tema, partiu-se para as pesquisas, dentre elas a bibliográficas e a documental. A pesquisa bibliográfica é “feita com base em documentos já elaborados, tais como livros, dicionários, enciclopédias, periódicos, como jornais e revistas, além de publicações, como comunicação e artigos científicos [...]” (SANTOS, 2002, p.161). Já a pesquisa documental é aquela que se baseia em materiais que ainda não foram observados de forma analítica, como, por exemplo, jornais, revistas, relatórios, entre outros. A partir da coleta de informações sobre o tema, foi possível realizar a pauta, que é uma etapa importante para o desenvolvimento da reportagem, pois é o que vai servir de guia para o repórter. Segundo Ferraretto (2014, p.151), “uma boa pauta deve conter as informações básicas para o repórter realizar seu trabalho com segurança”. Outro ponto a se destacar é em relação à linguagem, sobre a qual foi necessário um estudo sobre qual a melhor forma de falar com as crianças. Segundo McLeish (2001), o rádio é um meio cego, capaz de estimular a imaginação e fazer com que o ouvinte crie em sua mente imagens daquilo que está sendo dito. Ferraretto complementa que: A linguagem radiofônica engloba o uso da voz humano, da música, dos efeitos sonoros e do silêncio, que atuam isoladamente ou combinado entre si de diversas formas. [...] Podem ser utilizados, conforme o contexto, de diversos modos e em diferentes níveis de apelo ao ouvinte, direcionando-se ao seu intelecto, no que se expressa como algo mais concreto, e à sua sensibilidade, naquilo que pende mais para o abstrato. (FERRARETTO, 2014, p.32). Logo, as vozes, os sons, os efeitos, são ferramentas fundamentais para dar vida ao que está sendo comunicado. Falar no rádio também envolve outras características que são fundamentais para transmitir a mensagem de forma que grande parte dos ouvintes seja capaz de entender e captar a mensagem. “Pela abrangência do veículo e pelas características do rádio, o discurso radiofônico deve ser o mais claro, preciso e conciso dos discursos jornalísticos, usando, com o máximo de propriedade, o repertório do seu público-alvo”. (FERRARETTO, 2001, p.34). Desta forma, para evitar que o público infantil perdesse o interesse e a atenção, optou-se por abordar o assunto por meio de uma linguagem clara, permitindo que a mensagem fosse de fácil assimilação; precisa, transmitindo o conteúdo com o máximo de exatidão possível; concisa, evitando o discurso desnecessário, por meio de dosagem adequada de qualidade da informação com quantidade de texto e dinâmica, a fim de cativar as crianças para a audição. Para ilustrar o assunto, dois profissionais do meio educacional foram entrevistados, além de duas crianças, que deram vida para a reportagem, aproximando ainda mais o conteúdo ao público-alvo. Após todas as entrevistas serem feitas, o roteiro pode ser produzido e gravado no Laboratório de Rádio da universidade. As edições foram realizadas em conjunto com os técnicos do laboratório. Todo o processo, de planejamento da pauta até a execução da reportagem e sua edição, foi orientado pela professora responsável pela disciplina de Laboratório de Jornalismo Radiofônico II. Com a reportagem pronta, teve-se a oportunidade de aplicar o material em um colégio particular da cidade de Bauru, lócus onde esta pesquisadora reside, em duas sessões (período da manhã e a tarde), com crianças de 7 anos, em maio de 2016. A audição foi coletiva e as impressões sobre o produto também, o que possibilitou analisar as potencialidades da reportagem. Observou-se, por meio das reações e depoimentos, que as crianças compreenderam seu conteúdo, relacionaram-no à sua realidade e elaboraram opiniões sobre o tema. Notou-se, ainda, maior interesse quando a abordagem trouxe as vozes de outras crianças, favorecendo a identificação dos ouvintes com o conteúdo.
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO
“Importância da inclusão na educação infantil- Uma reportagem radiojornalística para crianças” é um produto com duração de 4 minutos e 32 segundos, que traz como tema a acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência. Após pesquisas e orientações, o tema foi delimitado e vertentes sobre a acessibilidade foram definidas para sua abordagem em rádio. A partir do tema, pode-se dividir a reportagem em quatro partes, sendo elas: o conceito, a aplicação, o exemplo e a reflexão. A primeira parte explica o conceito do tema e sua importância, que teve como profissional a Katia de Abreu Fonseca, professora da Divisão de Educação Especial do Município de Bauru e atualmente Coordenadora de Área da Educação Especial na Secretaria Municipal da Educação, Departamento de Planejamento, Projeto e Pesquisas Pedagógicas, como principal fonte. Na reportagem, Kátia explica o conceito da educação inclusiva de forma dinâmica e simples, possibilitando ao ouvinte um entendimento acerca do assunto. Na segunda parte a fonte foi a profissional Salete Maria de Lima, professora de deficientes visuais da rede pública e estadual da cidade de Bauru. Seu depoimento foi utilizado por contar como essa inclusão pode ser aplicada nas escolas, tanto por meio do ambiente quanto por materiais. Para a terceira parte, Nicole Carlos Santos, de 7 anos, foi utilizada como exemplo de inclusão. Nicole é deficiente visual e perdeu a visão quando tinha 3 anos de idade, decorrente de um câncer nos olhos. Ela estuda em uma sala comum na escola particular Dom Bosco, em Bauru, e desenvolve suas atividades normalmente, sob o auxílio dos professores e colegas. Seu depoimento enriqueceu bastante a abordagem, proporcionando verossimilhança à reportagem. E por fim, a quarta parte procura motivar a reflexão do ouvinte. Para tanto, foi entrevistado o estudante João Henrique Custódio de Souza Barros, de 12 anos, que não possui deficiência, mas já teve contato com quem tem. Em seu depoimento, o aluno deixa a mensagem de que precisamos ajudar o próximo e respeitá-lo. Desta forma, as quatro partes são importantes para dar coerência narrativa à reportagem e, consequentemente, possibilitar o seu entendimento. Após a seleção dos conteúdos das sonoras, foi realizada uma edição do material captado e o roteiro pode ser produzido. Em parceria com os técnicos do Laboratório de Rádio da universidade, o produto foi gravado. Tanto no começo quanto no fim da reportagem, optou-se por inserir uma sonora de crianças brincando, possibilitando ao ouvinte uma identificação com o tema, bem como a imaginação de cenário sonoro que remetesse ao ambiente escolar. Após a finalização do produto, a reportagem foi exibida em ambiente escolar em uma turma do fundamental ciclo 1, com crianças de 7 anos, de uma escola particular de Bauru, como estudo de recepção. O arquivo em áudio foi reproduzido coletivamente e durante toda a reportagem grande parte dos alunos teve a atenção focada ao que estava sendo escutado. Posteriormente, ao serem questionados sobre as impressões que tiveram da reportagem, demonstraram interesse para expor as suas opiniões e entraram em um consenso à importância do conteúdo veiculado, de que devemos respeitar o próximo e ajudá-lo, independente das suas diferenças, pois todos somos iguais.
 
CONSIDERAÇÕES
Falar sobre direitos humanos é de fundamental importância quando se almeja conviver em uma sociedade mais justa, igualitária e solidária. Levar essa temática para as pessoas é motivá-las a refletir e desenvolver o seu senso crítico e, em se tratando de crianças, público-alvo deste trabalho, entende-se ser imprescindível que elas, desde pequenas, saibam reconhecer esses direitos humanos e aplicá-los no seu dia a dia. À vista disso, a “Importância da inclusão na educação infantil- Uma reportagem radiojornalística para crianças” tem potencial para levar conhecimento e servir de reflexão para estas que tendem a ser o futuro do país. Ao longo de seu processo de produção, ratificou-se a crença de que produzir uma reportagem para crianças envolve atenção e dedicação. É preciso ter um olhar sensível e atento diante de tantos assuntos importantes para serem debatidos. Através de pesquisas e estudos procurou-se construir o melhor formato de reportagem para o público-alvo, de maneira que o conteúdo pudesse ser entendido e colocado em prática por elas. Explicar o seu conceito, sua aplicação e prática foram fundamentais para auxiliar na compreensão do tema abordado. Deste modo, após a audição do produto e do estudo de recepção, pode-se avaliar que a reportagem atende aos princípios básicos do radiojornalismo, que é levar conhecimento e informação, trabalhando a reflexão e a solidariedade do ouvinte.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁICAS
ALMEIDA, Ana Cláudia; LEITE, Lúcia. Manual informativo sobre práticas educacionais inclusivas. Bauru: Unesp, 2006.

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FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2001.

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SANTOS, Izequias Estevan dos. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa científica. 3e. Rio de Janeiro: Impetus, 2002.