INSCRIÇÃO: 01223
 
CATEGORIA: JO
 
MODALIDADE: JO07
 
TÍTULO: Além das aparências
 
AUTORES: João Pedro Libório Godoy (Universidade do Sagrado Coração); Paulo Henrique Macarini Domingues (Universidade do Sagrado Coração); Mayra Fernanda Ferreira (Universidade do Sagrado Coração); Mayra Fernanda Ferreira (Universidade do Sagrado Coração)
 
PALAVRAS-CHAVE: Webjornalismo, Reportagem, Transmídia, Travestilidade, Além das Aparências
 
RESUMO
Este trabalho apresenta a produção e a execução de uma pauta jornalística sobre travestilidade através de uma experimentação de web reportagem. A produção da grande reportagem "Além da aparências" fez uso de diversos conceitos aprendidos em durante o curso de Jornalismo, desde as técnicas de reportagem, a pauta jornalística e os conceitos de webjornalismo, e foi apresentado como Trabalho de Conclusão na Universidade do Sagrado Coração. O produto final busca informar com qualidade para desconstruir um preconceito latente em nossa sociedade, cumprindo o compromisso social do jornalista, além de contar com uma qualidade visual e de conteúdo, através de entrevistas e levantamentos de dados, trazendo uma abordagem ampla e coerente sobre a vida e as dificuldades enfrentadas pelas travestis que trabalham com prostituição.

 
INTRODUÇÃO
O papel do repórter extrapola a função de publicista, como exercido pelo jornalismo em seus séculos de desenvolvimento. Segundo Lage (2001, p. 10) "os primeiros jornalistas incumbiam-se de difundir as idéias burguesas." Difundir ideias de minorias dominantes, publicar fatos de interesse comercial ou ainda curiosidades irrelevantes não são suficientes para a execução de um bom jornalismo. Muitas características de entretenimento se desenvolvem e sobrevivem dentro do jornalismo, mas a mensagem dos fatos e das notícias não podem ser deixadas em segundo plano. Dentro da realidade produtiva atual, tendo em vista que "Hoje, com os computadores, a responsabilidade do repórter cresce e se diversifica; ele não apenas deve apurar bem, mas formular seu texto como o melhor dos redatores e participar das tarefas de edição" (LAGE, 2003, p.21) nem sempre é cabível o desenvolvimento de grandes reportagens, seja pela complexidade que exige mais tempo, não disponível na rotina produtiva dos veículos impressos, seja pelo alto custo de desenvolvimento em comparação à produção noticiosa diária. Cabe nessa lacuna da produtividade, o empenho do jornalista e de veículos em construir um material completo e, muitas vezes didático, a fim de melhor informar com a viabilização de uma grande reportagem, neste caso transmídia sobre a questão da travestilidade, a "Além das Aparências". O Brasil, por apresentar grande dimensão territorial, é um país muito rico em diversidade de credo, raça e sexualidades. Entretanto, o país ainda sofre com o preconceito. Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), de 2012, 9.982 casos de violações relacionadas à população LGBT foram registrados. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, 338 homossexuais foram assassinados no país em 2012 (últimos dados disponíveis). Os números reais, no entanto, podem ser ainda maiores, já que muitos dos casos não são denunciados ou não entram na estatística por não haver comprovação da sexualidade das vítimas.
 
OBJETIVO
O interesse em desenvolver este projeto surgiu após a observação dos pesquisadores em relação à dificuldade da população em falar sobre sexualidade, sendo assim, há muitas dúvidas e tabus sobre o tema. Após contato com um radiodocumentário sobre a inserção dos travestis na sociedade e no mercado de trabalho, na disciplina de Laboratório de Jornalismo Radiofônico, ministrada pela Profa Ma. Daniela Pereira Bochembuzo, ficou evidente a necessidade do debate sobre o assunto que, apesar de recorrente, é tratada de forma marginal à sociedade conservadora em que vivemos. Consideramos caber, e ser de grande valor informacional, a construção de material jornalístico que rompesse a barreira do preconceito e informasse, a fim de educar sobre sexualidades e suas nuances."As práticas "contra a natureza", que são consideradas um atentado ao pudor, aos bons costumes, e à opinião pública, acarretam severas sanções para que o "normal" seja mantido. Entretanto, a história assim o atesta, tal objetivo nunca foi alcançado: a sexualidade sempre escapou a toda e qualquer tentativa de normatização." (CECCARELLI, p. 18-37, 2000). O "Além das Aparências" é um Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo que alia o exercício cívico do jornalismo a partir de uma abordagem social da travestilidade com as potencialidades de uma reportagem na web com conteúdos em linguagens mais interativas de modo a se aproximar do público. Diante dessa proposta, o produto tem como objetivos: construir uma web reportagem digital com fotos, vídeos e texto, que contextualiza através de uma abordagem didática o preconceito e a sexualidade das travestis; identificando os elementos que garantem a reportagem na web e exercitando as técnicas de reportagem, entrevista e edição jornalística; e, por fim, apresentar de forma atraente, intuitiva, didática e responsiva o material em plataforma web.
 
JUSTIFICATIVA
Romper paradigmas sobre sexualidade exige muita informação, bem organizada e explicativa. O formato de grande reportagem é o ideal, pois pode mostrar em uma abordagem mais aprofundada o assunto, esclarecendo dúvidas, mostrando realidades e apresentando uma série de informações valiosas para a inserção social de uma forma didática. Produzir para a plataforma web torna-se interessante pela abrangência do conteúdo multimídia, permitindo interatividade e uma leitura não linear, criando assim vários caminhos distintos para mostrar as informações e as histórias a serem contadas, dando assim ao usuário uma experiência de informação interativa, interessante e didática.

"Grande reportagem constituída por formatos de linguagem multimídia convergentes, integrando gêneros como a entrevista, o documentário, a infografia, a opinião, a crítica, a pesquisa, dentre outros, num único pacote de informação, interativo e multilinear." (LONGHI, p. 153, 2010)

O meio web permite ainda uma quase infinita gama de receptores para a reportagem, tendo a possibilidade de levar a informação e o conhecimento a milhões de pessoas, seja diretamente via endereço de acesso, seja indiretamente via redes sociais. Esse último caminho citado é inclusive a grande tendência para a distribuição de conteúdo noticioso. Segundo Klein (2015) "a maioria das grandes organizações jornalísticas, até certo ponto, fazem isto hoje". Cabe dentro dessa realidade de distribuição a construção de um material com alto teor de conteúdo informativo de um tema social tão presente e tão pouco abordado dentro de grandes e tradicionais veículos de comunicação.Simplesmente disponibilizar grande quantidade de informação muitas vezes não é suficiente. Em "Além das Aparências", pensou-se em algo mais próximo a uma curadoria de informação, uma organização de dados já existentes somados aos dados captados, para assim chegar a uma ordenação didática de informação. Para chegar ao resultado desejado, o caminho mais adequado foi o de contar histórias. Um bom storytelling consegue captar a atenção do leitor, além de ser uma forma mais humanizada de jornalismo, mostrando um ponto de vista pessoal e intrínseco ao storyteller. Para Mittel (2012, p.33), "algumas transformações na indústria midiática, nas tecnologias e no comportamento do público coincidiram com o surgimento da complexidade narrativa sem, contudo, operarem como razão principal de tal evolução formal." Com isso, espera-se atingir e tocar os receptores da mensagem e transmitir conhecimento, informação e esclarecimento sobre o tema por meio de uma grande reportagem transmídia, a fim de que eles compreendam a vida e a rotina das personagens retratadas. A partir dessa preocupação com a qualidade do produto final, identificou-se a necessidade de uma equipe multidisciplinar, no entanto, o trabalho sendo construído por apenas dois pesquisadores, definiu-se funções de responsabilidades a cada um: elaboração das pautas, o papel de produtor jornalístico, a condução das entrevistas, a produção textual, a captação técnica das entrevistas, a edição dos vídeos, o papel de editor e a construção do site. Cada um dos pesquisadores assumiu vários papéis técnicos distintos, mas esse acúmulo de funções foi necessário devido à busca por um produto de alta qualidade final.
 
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
Para este produto com formato experimental de grande reportagem transmídia em jornalismo digital, apresentado como Trabalho de Conclusão em Jornalismo, foi executada uma pesquisa bibliográfica a fim de fundamentar a escolha do formato e da linguagem, de modo a abordar jornalisticamente o produto. Em seguida, ainda com a pesquisa bibliográfica, buscou-se contextualizar o tema e seus subtemas: preconceito, sexualidade e prostituição. Com o intuito de complementar essa base de informações sobre o tema e seus subtemas, foi realizada também uma pesquisa documental, consultando legislação e decisões judiciais que envolvam estes assuntos.Em seguida foi realizada uma pesquisa etnográfica, descrevendo, inscrevendo e transcrevendo experiências vividas após visitar e realizar entrevistas formais e informais com travestis que trabalham em conhecidos pontos de prostituição na cidade de Bauru.Definido o formato de site com rolagem vertical e as necessidades de quais fontes que se buscaria, partiu-se para as entrevistas. Primeiro foram definidas as especializadas com psicólogas, antropóloga e autoridades locais dentro do âmbito LGBT e começamos as buscas para os personagens principais. Inicialmente tentamos contato via telefone, procurando acompanhantes em sites, mas a maior parte delas não era de Bauru e não quis gravar entrevista. Mesmo com receio de um ambiente pouco receptivo e possivelmente hostil, principalmente por se tratar de entrevista em vídeo fazendo perguntas sobre a vida pessoal e a vida profissional com uma ocupação não regulamentada, fomos às ruas em busca de nossas personagens, e para nossa grata surpresa, fomos bem recebidos e conseguimos o conteúdo necessário sem grandes dificuldades.
Não ter grandes dificuldades não é sinônimo de pouco trabalho. Acompanhamos por cerca de um mês, entre o fim de abril e início de maio de 2016, a região de Bauru com maior número de travestis nas ruas – Av. Nações Unidas entre as quadras 17 e 23 -, sempre tarde da noite – entre 22h e 3h do dia seguinte – a fim de buscar mais entrevistas e acompanhar um pouco da rotina de quem trabalhava ali.Sem os equipamentos em mãos, fizemos nossa primeira abordagem nas ruas. Conversamos com Gabriela Valentina, de 19 anos e que há dois trabalha com prostituição, e Fernanda, de 24 anos, que estava ali em seu primeiro dia como acompanhante e não havia feito nenhum programa ainda (sua entrevista foi descartada por não se encaixar de forma a agregar informação em nenhum dos capítulos do trabalho). Como fomos bem recebidos, pudemos com calma pegar os equipamentos necessários no carro, escolher um bom enquadramento, com abertura grande a fim de termos uma baixa profundidade de campo e deixarmos a entrevista com uma estética que remetesse ao local, mas sem identificá-lo completamente. Na semana seguinte, mais duas entrevistas com Gleyce Kelly, de 20 anos e Nayara Martolli, de 19 anos. Nas duas primeiras entrevistas, a gravação foi feita com as entrevistadas sentadas em um muro, próximo do "ponto" em que eles trabalhavam. No caso de Gleyce e Nayara, que ficavam de pé, sem muros ou bancos por perto, houve a dificuldade de manter o foco da câmera, que não se adaptava aos movimentos. A solução encontrada foi a de estacionar o carro bem próximo, apoiando-as no veículo, e explicamos a dificuldade que haveria com o foco caso houvesse mudança de distanciamento entre elas e a câmera. Assim, as entrevistas ocorreram sem dificuldade.Já no dia seguinte abordamos e entrevistamos Fernanda Aguineles, de 32 anos. Nessa entrevista, porém, tivemos algumas dificuldades. O local em que ela se sentou, mais próxima da parede e apenas com uma luz, que vinha de um poste já distante, dificultou o enquadramento, foco e ajuste de temperatura de cor. Como ela havia pedido pressa, não tivemos como pedir para que fosse refeita a entrevista. Porém, essa dificuldade nos mostrou que haveria necessidade de uma maior padronização no enquadramento das entrevistas. Definimos que seria bem próximo do que já havíamos feito nas anteriores, com um plano fechado (close up) para mostrar expressão e demonstrar intimidade, com angulação normal 3/4 (na altura dos olhos e com o nariz do entrevistado formando um ângulo de aproximadamente 45º com a lente da câmera).Nas semanas seguintes continuamos com as entrevistas já seguindo uma maior padronização da captação e conversamos com Danyella Suzuki, de 22 anos, Pietra Karoline, de 19 anos, Bárbara Reis, de 25 anos e Thayla Daher, de 19 anos. Logo em seguida partimos para o agendamento e captação das entrevistas técnicas, com psicólogas, antropóloga e representantes da causa LGBT.Essas últimas entrevistas foram agendadas e realizadas durante o dia, com um roteiro pré-definido em pauta. Como elas ocorreram em ambientes fechados e com iluminação boa, não houve nenhuma dificuldade quanto à captação de vídeo e nenhuma interferência no áudio.Tendo os personagens escolhidos e entrevistados, partimos para a elaboração do produto, realizando a edição das entrevistas textuais, sonoras e captadas em vídeo, além de captura de fotografias, a fim de contar uma breve história de cada entrevistado. Na sequência, houve o desenvolvimento da estética e do audiovisual do conteúdo web, além de selecionar e editar as captações de vídeo e fotografias. Houve, nesse momento de montagem do produto, a preocupação de construir esse conteúdo em formato responsivo, com o qual a leitura de "Além das aparências" não tivesse nenhum prejuízo de acesso nem em plataforma de mesa (desktops) nem em plataformas móveis (tablets e celulares). Tudo isso foi feito por meio de programação escrita linha a linha na linguagem HTML5, com elementos visuais determinados em CSS e rotinas em JavaScript, sem o auxílio de softwares visuais que geram esses códigos automaticamente através de comandos visuais, como ADOBE DREAMWEAVER ou ADOBE MUSE. Apesar desses softwares facilitarem a velocidade de construção do produto, eles tendem a padronizar os sites construídos por eles, já que seus comandos seguem padrões pré-definidos e para uma melhor personalização e unicidade desse conteúdo seria necessário, de qualquer forma, um domínio da linguagem para uma posterior edição de linhas de código para tal personalização, tendo assim o processo duplicado de construção.Conforme a reportagem se desenvolveu, percebemos que ficaria bem extensa. A fim de segmentar os assuntos abordados e facilitar a leitura e compreensão de forma didática, optamos por subdividir a reportagem em quatro capítulos de conteúdo (Sexualidades, A Travesti, O Cliente e O Preconceito), e duas  páginas extras para a descrição (Sobre e Bastidores). Escolhemos integrar ao produto vídeos com entrevistas técnicas, etnográficas e depoimentos, a fim de ilustrar e dialogar com os textos. As entrevistas que foram captadas todas com o mesmo equipamento do próprio pesquisador a fim de manter mesmo padrão estético e de qualidade. Utilizou-se uma câmera Nikon modelo D7100, uma lente Nikkor 50mm f1.4, um tripé simples modelo WF3750 e um microfone de lapela da marca Le Son modelo ML-70. Os vídeos foram editados no  ADOBE PREMIERE PRO CS6. A edição se deu a partir dos assuntos, sendo extraída a parte que mais informava ou melhor ilustrava cada capítulo em que cada vídeo seria inserido. Dentro do mesmo software foi feita a geração de  caracteres (GC), com a fonte Myriad Pro, que faz parte das fontes utilizadas dentro da construção do site, e com tamanho de 72px, que apesar de ser maior que o padrão televisivo, compreende leitura fácil mesmo em um dispositivo de tela pequena, como a de um celular.
 
DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO
O produto “Além das Aparências” está disponível em http://macarini.com.br/alemdasaparencias/ e apresenta 12 vídeos totalizando 19 minutos e 23 segundos, contando também com seis textos e três fotos. Com todas as entrevistas em mãos partimos para a construção do produto em si. Na primeira etapa definimos quais trechos da reportagem seriam descritos em texto, quais trechos seriam em vídeos e em que momentos haveria ilustrações. Enquanto o texto era desenvolvido, os vídeos foram editados. Essa edição ocorreu de forma simples, com os trechos mais interessantes de cada entrevista já selecionados previamente, fazendo os cortes e montando cada vídeo de forma a esse se encaixar e amarrar os trechos em texto da reportagem. Durante a edição inserimos a descrição do que era cada vídeo no primeiro frame do mesmo, assim antes que o leitor da reportagem desse o “play”, poderia ler e entender do que se tratava cada um.Figura 1 - Exemplo de frame descritivo.Também na edição dos vídeos foram inseridos o nome de cada entrevistado. Nessa inserção houve a preocupação do tamanho da fonte, pois se fosse muito pequena dificultaria a leitura em dispositivos de tela pequena, e se fosse muito grande ficaria com uma estética desproporcional em dispositivos de tela grande. Encontramos um meio termo e utilizamos a mesma fonte do frame descritivo e definimos que também usaríamos em eventuais ilustrações dentro da construção do produto. Com vídeos e textos já desenvolvidos iniciamos a construção do site. Separado em quatro capítulos, julgamos que seria apropriado dar opções de leitura ao usuário, definimos então que haveria no topo de cada página um “Menu” com o link de cada assunto abordado na reportagem. Cada assunto foi abordado em um capítulo de forma contínua, dentro de uma página separada para cada um, sendo necessária uma rolagem do browser para a leitura. Esse modelo escolhido de página nos permitiu construir uma programação responsiva de maior confiabilidade, garantindo que o conteúdo seria adaptado a qualquer tamanho de tela, sem comprometer o tamanho de fonte de texto, tamanho das imagens ou qualidade dos vídeos.No primeiro capítulo denominado “SEXUALIDADES” inserimos um cabeçalho de tela cheia, assim a imagem escolhida, junto com o texto, funcionaria como uma capa para a reportagem. Figura 2 - Capa da Reportagem. Fonte: Elaborado pelo autor. Ainda neste primeiro capítulo fizemos uma subdivisão em três blocos, separados por cores de fundo, onde haveria maior conexão entre os trechos e as ilustrações em vídeo ou imagem. Definimos três cores que seriam utilizadas nessa separação. As cores que ilustram bem uma definição de onde começa e onde termina cada bloco, facilitam (ou pelo menos não dificultam) a leitura do texto, trazem uma relação de ambiente noturno (que mantém relação com o tema de prostituição nas ruas), mas não um ar sombrio nem triste. No primeiro bloco temos texto, ilustração com figuras (decorativas) e o primeiro vídeo, explicando as questões de gênero na visão da Antropologia. No segundo, uma introdução ao bloco e parágrafos com texto explicativo sobre sexo, gênero e orientação sexual. O terceiro bloco com um último trecho de textual e o quarto vídeo do capítulo, com a Psicologia explicando como a travesti se sente. Para facilitar a leitura contínua e orientar o usuário, inserimos ainda um bloco de continuidade, no qual temos a descrição e um link para o próximo capítulo. Encerramos com o rodapé de informação da autoria da reportagem, linkando o nome dos autores com seus respectivos contatos pessoais.Figura 3 - Reprodução da página completa do primeiro capítulo “SEXUALIDADES”Para o segundo capítulo “A TRAVESTI - COMO SE IDENTIFICAM E VIVEM AS TRAVESTIS” adotamos a mesma estruturação, apenas suprimindo a “capa” e substituindo por um cabeçalho descritivo do conteúdo da página. Assim a estrutura dos blocos de conteúdo foi construída em quatro subdivisões: a primeira com bloco de texto e um vídeo de depoimento sobre a dificuldade em assumir a real identidade de gênero; a segunda com bloco de texto, um outro vídeo contendo depoimentos e figuras ilustrativas (decorativas), falando sobre a dificuldade das travestis em conseguir um emprego formal; o terceiro bloco também com texto e vídeo de depoimento sobre a rotina de trabalho delas; e a quarta subdivisão do capítulo com bloco de texto, vídeo de depoimentos e outro bloco de texto que finaliza o capítulo contando se a vida nas ruas é fácil ou difícil. Mantivemos a estrutura de finalizar com um bloco de continuidade com link para o próximo capítulo e rodapé de informação da autoria da reportagem.
Figura 4 - Reprodução da página completa do segundo capítulo “A TRAVESTI”Para o terceiro capítulo chamado de “O CLIENTE” também mantivemos um cabeçalho explicativo do que nele é abordado e realizamos subdivisões também em blocos de cores. Logo após o cabeçalho temos um bloco com texto e vídeo, falando sobre o perfil dos clientes que procuram as travestis nas ruas; na sequência um bloco apenas com texto sobre os pedidos dos clientes; um terceiro bloco com texto e vídeo contando as sexualidades e os desejos sexuais na visão da Psicologia e temos o capítulo encerrado com um quarto bloco apenas de texto, discorrendo sobre o adultério e com o acesso ao próximo capítulo e rodapé. Figura 5 - Reprodução da página completa do terceiro capítulo “O CLIENTE” Fonte: Elaborado pelo autor.O quarto e último capítulo da reportagem aborda e é denominado “PRECONCEITO E VIOLÊNCIA” e traz um estrutura levemente diferente. Logo após o cabeçalho, o primeiro bloco da subdivisão do capítulo traz quatro grandes números e quatro pequenos blocos de texto, dissertando sobre dados de preconceito e violência no Brasil e no Mundo. Na sequência, um bloco que traz apenas uma oração introdutória sobre os dados preocupantes citados, chamando para um vídeo de depoimentos sobre os riscos e o orgulho de ser travesti. O terceiro bloco traz texto e vídeo sobre a luta dos direitos humanos pela causa LGBT. E encerramos o capítulo e a reportagem com um quarto bloco contendo texto e nosso último vídeo, com a pergunta “será que conseguiremos viver sem preconceito?”. Diferente do que ocorre nos capítulos anteriores, encerramos apenas com o rodapé, já que não há mais conteúdo após este capítulo.Figura 6 - Reprodução da página completa do quarto capítulo “PRECONCEITO E VIOLÊNCIA” Fonte: Elaborado pelo Autor Incluímos também duas páginas extras ao conteúdo. Uma delas denominada “SOBRE”, que contém texto explicativo sobre o projeto, quem fez parte e o porquê do mesmo ser desenvolvido. E uma segunda página chamada “BASTIDORES” que conta um pouco de como foi produzir a reportagem, um resumo de como as entrevistas foram conduzidas e algumas curiosidades durante esse processo. Assim como todo o conteúdo da reportagem essas duas páginas extras foram construídas através de programação utilizando o editor de texto próprio para programação, o Visual Studio Code, da Microsoft, onde cada bloco de código corresponde a um trecho visual ou textual do site.Figura 7 - Trecho do código fonte do primeiro capítulo.
Figura 8 - Leitura correspondente à figura 7 visto no desktop.Pudemos observar, após leitura de dados do servidor em que deixamos o site temporariamente hospedado a fim de realização de testes, a importância da responsividade. Com quase quinhentos visitantes e mais de mil visualizações de página, o “Além das Aparências” foi visualizado por vinte e oito diferentes resoluções de tela. Dentre os visitantes, 29% dos acessos ao site “Beta” foram feitos através de dispositivos móveis, o que ratifica a relevância da responsividade do produto final.
 
CONSIDERAÇÕES
O desenvolvimento da grande reportagem “Além das aparências” esteve moldado pelas características do webjornalismo, buscando oferecer ao público um conteúdo mais aprofundado sobre travestilidade, apresentando aspectos que permeiam a prostituição de travestis de forma diferente do que outros veículos de comunicação já fizeram. Considerando essas premissas, o nosso projeto visou apresentar de forma didática, intuitiva e atraente -tanto visual, quanto no conteúdo- o tema abordado, incluindo diversas informações pertinentes em um ambiente que proporciona uma navegação agradável e simples. Buscamos colocar em prática não só o conteúdo pesquisado para este trabalho, mas sim todo o conhecimento adquirido durante os anos de curso a fim de mostrar uma realidade muitas vezes deixada às margens de nossa sociedade, sendo constantemente pré-julgada. A participação ativa dos pesquisadores foi essencial nessa vivência de desenvolvimento e experimentação de trabalhar com um formato ainda pouco utilizado num ambiente profissional, uma vez que é necessário, além dos conhecimentos jornalísticos, conhecimentos técnicos em outras áreas, como captação e edição de vídeos e desenvolvimento web descrito anteriormente. Essa soma de capacidades técnicas nos permitiram a construção de um material completamente autoral e de grande valor informativo. Consideramos, portanto, que o trabalho contribui para a sociedade jornalística, devido à relevância social do “Além das Aparências”, utilizando uma plataforma que possibilita dar maior visibilidade aos temas menos abordados pelos grandes veículos de mídia de massa. E ainda sentimos a satisfação pessoal pelo que possibilita dar maior visibilidade aos temas menos abordados pelos grandes veículos de mídia de massa. E ainda sentimos a satisfação pessoal pelo exercer da forma mais completa possível o papel de um webjornalista ético e competente.
 
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