Centenário de Luiz Beltrão e homenagem a Marques de Melo marcam edição paulista da Jornada Beltraniana 2018

Por Nara Lacerda, agência Fervo

Participantes da Jornada Beltraniana

A sétima edição da Jornada Beltraniana reuniu estudantes, pesquisadores, artistas e professores no Centro Cultural José Marques de Melo da Intercom, em São Paulo, no último dia 8 de agosto, quando foi celebrado também o centenário de Luiz Beltrão (1918-1986).

No encontro, foram discutidas as contribuições do jornalista, escritor e pesquisador para a comunicação, especialmente no que diz respeito à folkcomunicação e ao processo de desconstrução da elitização dos meios e da produção de notícias. A conversa teve participação da Profa. Dra. Fátima Feliciano (Metodista), da Profa. Dra. Maria Isabel Amphilo (Metodista) e do artista e Prof. Dr. Elinaldo Meira (Paulus), com mediação da Profa. Ms. Sonia Regina S. da Cunha (PPGCOM ECA-USP).

Fátima Feliciano ressaltou que a atuação de Beltrão no jornalismo tradicional e na área sindical proporcionaram amplitude aos estudos e pesquisas do jornalista, que estão mais atuais do que nunca: "Durante a Guerra Fria, havia uma espécie de luta pelas almas do terceiro mundo e Beltrão já se preocupava com o controle dos satélites de comunicação. O que hoje a gente chama de fluxo informativo ele chamava de controle. Luiz Beltrão não estava preocupado em discutir as questões mais rasteiras do desenvolvimentismo, ele queria saber quem controlava a comunicação. A teoria do jornalismo foi descolada – propositalmente, segundo muitos autores – da teoria da comunicação, e muita coisa se perdeu nesse processo. A discussão da ética, da responsabilidade social, do controle está ressurgindo agora, com a questão das fake news".

Na visão de Maria Isabel Amphilo, os novos meios de comunicação que vêm se desenvolvendo complementam os processos da Folkcomunicação. "Nós temos as mídias informais, a internet e as mídias independentes muito vivas atualmente. Nesse sentido, o pensamento de Beltrão também está vivo. A maior homenagem que podemos prestar a ele é dar continuidade às pesquisas sobre os entraves comunicacionais entre governo e povo. O que acontece quando a massa não responde à mídia hegemônica? Isso é Folkcomunicação. Isso é Luiz Beltrão."

Nesse sentido, Elinando Pereira reafirmou os processos de renovação da Folkcomunicação: "Um dos objetos da Folkcomunicação é o povo em sua forma viva de ser, de criar, de reinventar formas simbólicas. Ela se reinventa e permite que nós, estudiosos, possamos enxergar novas possibilidades e adequarmos novas questões teóricas. Ela se faz viva, porque o povo é vivo."

HOMENAGEM A MARQUES DE MELO

A Jornada Beltraniana 2018 em São Paulo também realizou uma roda de conversa em homenagem ao Professor José Marques de Melo, fundador da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e idealizador da Jornada Beltraniana que faleceu em junho passado. Estiveram presentes Silvia Marques, viúva do pesquisador, o Prof. Dr. Antonio Andrade (Metodista), a Profa. Dra. Sonia Jaconi (Metodista), a Profa. Dra. Eliane Mergulhão e o Prof. Dr. Adolpho José Melfi, ex-reitor da USP, com mediação da Profa. Dra. Eliane Mergulhão.

Os impactos da personalidade de José Marques de Melo em pesquisas, na vida acadêmica e na formação de centenas de pesquisadores brasileiros foram ressaltados pelo grupo, que lembrou a responsabilidade de garantir a continuidade de seu pensamento. "Nossa grande homenagem é dar continuidade à obra dele. Está em nossas mãos essa responsabilidade de continuar com o Pensacom, com o Folkcom, com os projetos da Cátedra Unesco, e de movimentar os espaços da Intercom. Isso significa também nosso crescimento", afirmou Sonia Jaconi.

Para Adolpho José Melfi, a memória de Marques de Melo segue viva na produção intelectual e no legado que ele deixa para a comunicação. "Ele vai ficar sempre vivo por causa da produção que ele teve, do que ele fez. Como diretor da ECA [Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo], como professor, como amigo. Todo mundo aprecia a memória do professor Marques", disse Melphi.

Emocionada, Silvia Marques agradeceu as homenagens e ressaltou a necessidade de um planejamento para o acervo que pertenceu ao professor. "Ele era um ‘doador’, e há obras que foram dele em todo o Brasil. Ele doou livros para bibliotecas de universidades em diversos lugares, foram caixa e caixas. Mas ainda temos mais de 18 mil livros, e espero que daqui saia um projeto de biblioteca para esse acervo."

No dia 3 de setembro, haverá mais uma Jornada Beltraniana em Joinville (SC), durante o 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2018).


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