POR DENTRO DOS GPs INTERCOM: GP Rádio e Mídia Sonora

22 de novembro de 2018

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) congrega atualmente 34 Grupos de Pesquisa, que abrangem as mais variadas áreas de pesquisa no campo da Comunicação e reúne pesquisadores de instituições públicas e privadas de todo o Brasil. A partir desta edição, o JORNAL INTERCOM dá início a uma série de reportagens sobre seus GPs, de forma a divulgar suas formas de atuação e consolidar ainda mais a pesquisa em Comunicação no país.

O pontapé inicial da série “Por dentro dos GPs Intercom” é dado pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora. O JORNAL INTERCOM conversou por e-mail com Valci Zucoloto (UFSC), atual coordenadora do GP Rádio e Mídia Sonora, e com Marcelo Kischinhevsky (UERJ), atualmente na vice-coordenação do GP ao lado de Debora Lopez (UFOP). Confira a entrevista.

INFORMAÇÕES BÁSICAS

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O GP Rádio e Mídia Sonora se articula como uma rede de pesquisa de alcance internacional, com participantes de Norte a Sul do Brasil e também de países como Angola, Argentina, Espanha, Portugal e Uruguai. Nosso principal espaço de trocas é o congresso nacional da Intercom, mas temos atividades em outros eventos científicos, como a Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar) de História da Mídia, que mantém um Grupo de Trabalho de História da Mídia Sonora há quase uma década, e a Rede RadioJor, em fase de constituição na SBPJor.

O QUE VEM POR AÍ

O GP Rádio e Mídia Sonora planeja uma série de atividades para o próximo biênio (2019-2020), período em que se iniciam as comemorações do centenário do rádio no Brasil. O GP entende que um dos marcos fundadores da radiofonia nacional encontra-se nas experiências realizadas pela Rádio Clube de Pernambuco, a partir de 1919, embora a história oficial ao longo do século passado tenha construído toda uma narrativa fundadora em torno da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, com transmissões regulares a partir de 1923. Cabe-nos, como grupo de pesquisa, revisitar essa trajetória e construir uma nova historiografia, buscando elementos que permitam não apontar primazia de um ou outro pioneiro, mas sim compreender a importância social, cultural, política e econômica do novo meio naquele contexto. Um meio cujas origens remontam ao fim do século XIX, reverberando as experiências do padre-inventor gaúcho Roberto Landell de Moura.

Outras frentes de pesquisa são uma coletânea sobre os 20 anos da regulamentação da radiodifusão comunitária no Brasil, que terá chamada pública em breve, e um segundo volume do livro sobre a migração do AM para o FM, pesquisa liderada pelas professoras Nair Prata (UFOP) e Nélia Del Bianco (UnB/UFG) que reuniu mais de 70 pesquisadores de todo o Brasil e teve o primeiro resultado lançado, com grande sucesso, no congresso de Joinville.

HISTÓRICO

O Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora foi criado oficialmente em 1991, quando realizou o seu primeiro encontro para apresentação de trabalhos com o nome de GT Rádio. Porém, a decisão de instituir o grupo data de 1990, a partir de proposição das pesquisadoras Sonia Virginia Moreira (UERJ/UFJF) e Doris Fagundes Haussen (PUCRS), que foram suas primeiras coordenadoras. Depois delas, vieram Nélia Del Bianco (UnB/UFG), Eduardo Meditsch (UFSC), Mágda Cunha (PUCRS), Luiz Artur Ferraretto (UFRGS) e Nair Prata (UFOP).

Desde sua criação, o GP se mostrou muito atuante, estimulador e organizador da pesquisa em rádio no país, constituindo-se em pouco tempo em espaço aglutinador e protagonista dos estudos radiofônicos e de mídias sonoras. Desde seus primeiros anos, buscou ser construído sem ficar restrito aos encontros anuais do congresso nacional da Intercom. Imprimiu, no cenário acadêmico brasileiro, uma marca indelével de desenvolvimento pelo trabalho coletivo e solidário.

Ao se aproximar dos 30 anos de existência, o GP Rádio e Mídia Sonora coleciona um grande número de pesquisas e publicações coletivas. Neste final de 2018, o GP já conta com 24 livros organizados coletivamente.

Segundo o artigo “A pesquisa em rádio no Brasil: o papel do GP Rádio e Mídia Sonora da Intercom e dos PPG em Comunicação”, de Doris Haussen, entre 2002 e 2010, 309 trabalhos foram apresentados no GP Rádio e Mídia Sonora durante os congressos nacionais anuais da Intercom, “sendo que ainda predominavam os sobre a história (101), seguidos pelos que abordaram o rádio, internet e tecnologias (60), estudos de recepção (33), rádio e educação (31), gêneros (6)”.

No total, nada menos que 808 trabalhos foram apresentados no GP Rádio e Mídia Sonora entre 1991 e 2018, de acordo com levantamento realizado pela coordenação do grupo.

Percorrendo-se os caminhos do GP desde sua criação, pode-se observar que a interdisciplinaridade tem marcado presença nos “trabalhos apresentados, espelhando pontos fundamentais” da sua ementa, conforme reflete o artigo “A história do campo acadêmico do rádio no Brasil: registros referenciais para uma proposta de roteiro de percurso”, bem como outros textos do e-book “Estudos Radiofônicos no Brasil – 25 anos do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom”, organizado em 2016 Valci Zuculoto, Marcelo Kischinhevsky e Debora Lopez.

A pesquisadora Nair Prata, no artigo “Pesquisa em rádio no Brasil – o protagonismo do GP Rádio e Mídia Sonora da Intercom”, de 2015, também traçou a trajetória do Grupo, evidenciando sua história de destaque para a construção do campo acadêmico do radiofônico no Brasil.

PESQUISADORES

No momento, perto de 100 pesquisadores(as) participam mais ativamente e com frequência das atividades e eventos do GP Rádio e Mídia Sonora, dentro dos cerca de 300 pesquisadores(as) e/ou profissionais do rádio e mídias sonoras cadastrados em nosso fórum de discussões. Normalmente, cerca de 40 trabalhos são apresentados no espaço do GP nos Encontros anuais dos Grupos de Pesquisa, no Intercom Nacional.

Nos últimos três anos houve uma intensificação da participação dos estudantes de pós-graduação no GP Rádio e Mídia Sonora, enquanto a presença de pesquisadores sêniores vem mantendo-se prevalente – o que, aliás, também é uma marca do nosso grupo. Entre os pós-graduandos, têm predominado artigos derivados das dissertações e teses, permitindo a construção de uma discussão mais sólida, que colabora diretamente para o processo de formação. Nossos debates permitem olhar de distintos pontos de vista para os objetos, unindo estudiosos de níveis de formação e de origem variada.

Quanto à região de origem dos pesquisadores participantes dos encontros anuais, ainda prevalecem os das regiões Sudeste e Sul, mas sempre há presença especialmente do Centro-Oeste e do Nordeste e, por fim, do Norte. Justamente para espraiar e estimular mais a pesquisa nestas e sobre estas regiões, o GP vem buscando levar suas promoções, como o Simpósio Nacional do Rádio, para tais áreas. Mas é de se salientar que, quando se trata de pesquisas e/ou publicações coletivas, todas as regiões se integram e traçam o cenário radiofônico por igual.

Esta representatividade das participações de Norte a Sul tem permitido reconhecer a diversidade do rádio brasileiro e as suas múltiplas caracterizações de conteúdo, gestão e rotinas, intensificando as trocas entre pesquisadores de formação variada, tensionando crenças sobre o meio. Os pesquisadores sêniores dialogam intensamente com os pesquisadores em formação, aproximando grupos geograficamente distantes e colaborando para os estudos realizados.

ATUAÇÃO

Além das edições anuais do Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, o GP também promove, a cada Intercom nacional, mesas especiais de debate, lançamentos de livros e, mais recentemente, o Fórum de Rádios e TVs Universitárias.

Já o Simpósio Nacional do Rádio vai para sua quarta edição, realizado cada vez em uma cidade do país: a primeira edição foi em João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB); a segunda foi em Porto Alegre, na ESPM; e a terceira, em Conceição do Coité, na Bahia, na Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

O GP também já ofereceu cursos na Escola de Verão da Intercom. Está sempre debatendo e contribuindo com reflexões sobre as principais questões que afetam primeiramente o rádio, mas também a comunicação no seu geral. Por isso, já lançou vários manifestos posicionando-se, por exemplo, sobre a questão da definição do padrão digital, migração do AM para FM, a EBC, entre outros temas de relevância.

Boa parte de seus pesquisadores participa ativamente dos encontros da Alcar, da SBPJor e da Abej (antigo FNPJ). E, quando possível, o GP procura organizar-se para estabelecer novos espaços – como o fez em 2018, ao propor e realizar um GT no III Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciências e Educação – Produção e democratização do conhecimento na Ibero-América, na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), durante o qual realizamos o GT Rádio, Educação, Cultura e democratização da comunicação e do conhecimento.

O GP Rádio e Mídia Sonora também tem participação ativa na criação e no desenvolvimento da Rede de Rádios Universitárias do Brasil (RUBRA), que recentemente divulgou um manifesto em defesa da radiodifusão universitária.

INTERNACIONALIZAÇÃO

O GP Rádio e Mídia Sonora vem investindo na internacionalização, sobretudo nos últimos três anos. Por exemplo, já tem publicação coletiva com Portugal (OLIVEIRA, Madalena e PRATA, Nair. Rádio em Portugal e no Brasil: Trajetória e Cenários. Braga-Portugal: CS Edições, 2015, 256p.), que é impressa e também está disponível on-line.

O primeiro projeto internacional do grupo nasceu em setembro de 2014, no congresso Intercom em Foz do Iguaçu, em uma mesa especial intitulada Rádio Brasil-Portugal. A partir dessa sessão, surgiu a ideia de se organizar uma publicação com contribuições de autores brasileiros e portugueses que, a partir de olhares diversos, permitissem conhecer características dos estudos de rádio nos dois dois países.

O GP Rádio e Mídia Sonora da Intercom, inclusive, inspirou a criação do Grupo de Trabalho de Rádio e Meios Sonoros da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom), fundado em 2013. Também investe e já conta com resultados mais sólidos de aproximação com Argentina e Espanha. Com pesquisadores deste último país, as mais recentes ações voltam-se para a integração da nova Rubra à Rede Internacional de Rádios Universitárias (RIU), presidida pelo pesquisador Daniel Martín-Pena, da Universidade de Extremadura.

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