VII COLÓQUIO LATINO-AMERICANO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO ENCURTOU DISTÂNCIAS EM EVENTO HÍBRIDO

14 de setembro de 2022

Por Talita França e Sarah Emrish, jornalistas voluntárias na cobertura do Intercom 2022 sob supervisão do professor Rodrigo Martins Aragão (UFPB)

O 45° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2022) abriu os trabalhos no dia 5 de setembro com o VII Colóquio Latino-Americano de Ciências da Comunicação, evento organizado pela Diretoria de Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) que tradicionalmente compõe a programação inicial do congresso. Nesta edição, o colóquio trouxe duas novidades: foi realizado em modalidade híbrida, com participação remota de convidados(as) e transmissão no YouTube da Intercom; e palestrantes da Espanha e de Portugal.

Além desses dois países, Brasil, Equador, Chile, México e Colômbia foram representados nas três mesas, todas abordando o tema central do Intercom 2022, “Ciências da Comunicação contra a desinformação”, sob a perspectiva iberoamericana.

“O que a gente viu é que o fenômeno da desinformação não é só brasileiro, e sim é generalizado na América Latina como um todo, e que os pesquisadores do campo da Comunicação estão tentando, com seus estudos, suas pesquisas e suas práticas, colaborar com o enfrentamento da infodemia”, avalia Edgard Rebouças (Ufes), diretor de Relações Internacionais da Intercom e coordenador do evento.

Na abertura do colóquio, Giovandro Ferreira (UFBA), presidente da Intercom e que está em Paris para estágio de pós-doutorado, entrou remotamente para dar as boas-vindas aos(às) congressistas. “Há uma necessidade, cada vez mais, de solidariedade internacional para que as fake news não corroam nossa democracia, sobretudo na América Latina, [cujos países] são jovens democracias que necessitam muito desse aparato comunicacional em direção à verdade, à cidadania e aos direitos humanos”, afirmou. “Acredito que o Colóquio vá dar uma contribuição neste momento tão importante que estamos vivendo.”

Confira, a seguir, um breve resumo do evento. Você também pode assistir ao VII Colóquio Latino-Americano de Ciências da Comunicação no YouTube da Intercom.

Clique aqui para assistir à abertura e à mesa 1.

Clique aqui para assistir às mesas 2 e 3 e ao encerramento.

MESA 1
A primeira mesa, intitulada “Desinformação e ameaças à democracia”, teve a participação remota de Fernando Oliveira Paulino (UnB), presidente da Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas da Comunicação (Socicom) e vice-presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic), e de Gissela Dávila Cobo (Equador), presidente do Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicação para América Latina (Ciespal).

Paulino começou apontando a desinformação como estratégia como contra-propaganda e propaganda de guerra na Rússia antes mesmo da Primeira Guerra Mundial. “É relevante dizer que a questão da desinformação não é um mero descuido, não é uma situação que ocorre apenas de maneira culposa”, afirmou, acrescentando que “a desinformação tem particularidades regionais no Brasil e na América Latina” e reforçando a contribuição da internet e das plataformas para a desinformação. “O alto índice, ainda hoje, de analfabetismo ou do chamado analfabetismo funcional (ou seja, a dificuldade de leitura e de produção de conteúdos escritos), a grande centralidade que os veículos audiovisuais tiveram ao longo do século XX – especialmente a televisão na segunda metade do século XX e até hoje bastante concentrada, em termos de audiência, em alguns poucos canais se comparada a outras realidades no planeta – têm também contribuído com filtros e orientação editorial à luz de alguns interesses políticos e econômicos. Algumas coisas têm sido alteradas com o acesso à comunicação e à informação pela internet, mas outras permanecem ainda muito estruturais nos sistemas de comunicação latino-americanos. E isso tem algumas matrizes históricas e políticas que precisam ser mencionadas e que dialogam com essa concentração e também com alguns reflexos dela na nossa vida cotidiana”, explicou.

Após tratar brevemente da necessidade de regulamentação das plataformas de mídias sociais e dos desertos de notícias no Brasil e na América Latina, o presidente da Socicom salientou o papel da academia na democratização da comunicação. “Alguns grupos pelo Brasil já discutem essa questão há pelo menos 30 anos, mas nos últimos oito anos, a desinformação e questões ligadas ao que foi chamado de pós-verdade [...] ou fake news são temas que entraram na agenda das universidade e isso tem sido muito bom, até para diminuir um certo preconceito que existia em relação às nossas áreas de estudo”, afirmou, concluindo que o tema da desinformação deve ser incluído como componente fundamental nos currículos dos cursos de Comunicação.

Em seguida, Gissela Dávila Cobo explicou que, na América Latina, “temos experiências que são distintas das que vive o resto do mundo, mas que também nos identificam e nos dão padrões de como vamos construindo discursos sociais, gerando espaços de articulação cidadã”. Sobre a infodemia, a pesquisadora equatoriana abordou o uso exagerado de celulares: “Acabamos intoxicados por todas as informações que temos e não necessariamente ficamos bem informados”, afirmou. “O que isso faz é nos gerar ansiedade, é gerar, em muitos casos, depressão, porque não se pode fazer absolutamente nada e ter a sensação de estar informados, que acaba sendo falsa.”

MESAS 2 e 3
Com o tema “Desafio contemporâneo das Ciências da Comunicação”, a segunda mesaabordou os enfrentamentos entre comunicação e desinformação nos países latinos-americanos, com contribuições de Beatriz Elena Marín Ochoa (UPB – Colômbia), da Associação Colombiana de Investigadores da Comunicação (Acicom); Dorismilda Flores-Márquez (USB – México), da Associação Mexicana de Investigadores da Comunicação (Amic); e Daniela Lazcano Peña (PUCV – Chile), da Associação Chilena de Investigadores da Comunicação (Incom).

Dorismilda Flores-Márquez apresentou um estudo realizado com mais de 300 pesquisadores(as) de Comunicação sobre os desafios empíricos, teóricos e metodológicos do campo no México, enfatizando como a desinformação nunca deixou de existir, apenas se reconfigurou depois das redes digitais e seus algoritmos. Nesse contexto, Beatriz Elena Marín Ochoa e Daniela Lazcano Peña apontaram que os desafios enfrentados na Comunicação estão muito atrelados às políticas científicas nacionais e à falta de incentivo ao campo. Para elas, a melhor forma de combater esse problema é por meio da formação e da educação sócio-digital, de forma consciente e atenta à desinformação.

Ainda sobre o mesmo tema, a terceira e última mesa reuniu Marta Pérez Pereiro (USC – Espanha), da Associação Galega de Investigadores e Investigadoras de Comunicação (Agacom); Madalena Oliveira (UMinho – Portugal), da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom); e Rafael González Pardo (UT – Colômbia), da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social (Felafacs). Os(as) conferencistas levantaram a questão de como a desinformação afeta todo o ecossistema da comunicação, isto é, não se trata de um problema isolado. Esses desafios se consolidam na medida da falta de apoio e financiamento e da subordinação a um modelo de comercialização da ciência, além do fator de fragilidade da afirmação epistemológica. Segundo Madalena Oliveira, “se pesquisamos a vida, temos que pesquisar a comunicação”.

A partir dessa perspectiva, os(as) convidados(as) concluíram que, para combater a desinformação, é necessário haver uma interação entre campos e análises mais gerais, baseadas no fortalecimento e na disseminação do conhecimento por meio do diálogo multidisciplinar. Madalena Oliveira, no entanto, chamou atenção para a metodologia, pois, para ela, a Comunicação sofre de fraqueza teórica e o entusiasmo acadêmico não é capaz de curar a crise de identidade científica; a comunicação é vista como um “instrumento de estudo” e não um “estudo científico”. "Uma disciplina que não se cultiva a si mesma condena-se a ser uma disciplina sem pensamento próprio”, concluiu, acrescentando que a multidisciplinaridade não deve se sobrepor às disciplinas que são próprias do campo das Ciências da Comunicação.

ENCERRAMENTO

Para encerrar, os(as) convidado(as) se juntaram a Edgard Rebouças e Margarida Maria Krohling Kunsch (USP), presidente do Conselho Curador da Intercom, para conversar sobre a valorização do campo da Comunicação latino-americano em suas próprias comunidades, fortalecendo e estreitando laços entre pesquisadores(as).

Após cumprimentar os(as) participantes do Colóquio, a professora Margarida destacou a importância do intercâmbio cultural e da troca de conhecimentos entre pesquisadores(as) da região. “Fico muito feliz de ver essa nova geração dando continuidade, fazendo acontecer”, afirmou. “A gente sempre procura articular, fazer com que o campo das Ciências da Comunicação cresça a cada dia. Além de mostrar esse carinho que tenho por vocês, eu queria parabenizar a iniciativa de Edgard Rebouças de buscar essa interlocução com o espaço iberoamericano e a lusofonia, o que foi muito produtivo.”

Confira fotos do primeiro dia do Intercom 2022 no Instagram e no site do congresso.

O 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2022) ocorreu de 5 a 9 de setembro em João Pessoa, realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e organizado pelo Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) e pelo Departamento de Comunicação (Decom) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

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